Morreu a actriz e dama da TV brasileira Tônia Carrero

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Um dos ícones da televisão brasileira, a actriz Tônia Correro morreu ontem, por volta das 22h15 (hora de Brasília), aos 95 anos de idade. Tônia Carrero, cujo nome de baptismo é Maria Antonietta Portocarrero Thedim, passava por uma pequena cirurgia em uma clínica priva na Gávea, Sul do Rio de Janeiro, quando teve uma parada cardíaca e não resistiu, segundo a família.

A actriz tinha sido internada na última sexta com uma úlcera no sacro e morreu durante procedimento médico, afirmou a neta Luísa Thiré. O velório deve ocorrer este domingo, mas os detalhes não foram revelados pela família. O corpo deve ser cremada na segunda-feira, 05 de Março.

Tônia é a matriarca de uma família que tem quatro gerações de artistas: além do único filho, o actor Cécil Thiré, netos e bisnetos também seguiram a carreira. O projeto Brasil Memória das Artes da Funarte define a artista como “diva e dama” e “referência de beleza, inteligência e talento na história do teatro brasileiro”.

Começou na televisão na década de 60, a convite do autor Vicente Sesso para fazer “Sangue do Meu Sangue” ao lado de Fernanda Montenegro e Francisco Cuoco. A novela do diretor Sérgio Britto foi exibida em 1969 pela TV Excelsior.

Destacou em papéis marcantes – como Stella Fraga Simpson em “Água Viva” (1980) e Rebeca de “Sassaricando” – e integrou o elenco de 54 peças, 19 filmes e 15 novelas. Sua última novela foi “Senhora do Destino” (2004). Já no cinema foi em “Chega de Saudade” (2008). Homenageada do Prémio Shell de 2008, actuou no teatro pela última vez em 2007, em ‘Um Barco Para o Sonho’, de Alexei Arbuzov, peça produzida pelo filho Cécil e dirigida pelo neto Carlos Thiré.

Filha de militares, a atriz formou-se em educação física. Foi em Paris, para onde foi com o seu então marido, o artista plástico e director de cinema Carlos Arthur Thiré que fez vários cursos artísticos. Ao regressar ao Brasil, aos 25 anos, estrelou o seu primeiro filme, “Querida Suzana”, de Alberto Pieralise, ao lado de Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay.

Em 1949, subiu aos palcos pela primeira vez em “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, com Paulo Autran. A produção havia sido realizada pelo Teatro Brasileiro de Comédia, sob direção artística de Adolfo Celi – segundo marido de Tônia. Nos anos seguintes, estrelou inúmeras peças, como “Amanhã, se Não Chover” (1950), de Henrique Pongetti; e “Uma Mulher do Outro Mundo” (1954), de Noel Coward; “Otelo” (1956), de Shakespeare; “Entre Quatro Paredes” (1956), de Jean-Paul Sartre; e “Seis Personagens à Procura de um Autor” (1960), de Luigi Pirandello.

Sua beleza chamava a atenção de diversos diretores de cinema. Assim, a convite do empresário Franco Zampari, ela integrou a Cia Cinematográfica Vera Cruz, da qual tornou-se um dos rostos mais conhecidos. Foi protagonista de “Apassionata” (1952), de Fernando de Barros; “Tico-tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; e “É Proibido Beijar” (1954), de Ugo Lombardi.

Em 1967, ela mergulha no universo de Plínio Marcos em “A Navalha na Carne”. Ao lado de Emiliano Queiroz e Nelson Xavier e sob a direção de Fauzi Arap, vive a prostituta Neuza Suely. A montagem acossou a ditadura militar, se tornou um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada, e marcou a sua carreira.

Fonte:Globo

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