Movimento cívico preocupado com o Estado da Nação e de São Vicente 

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O Movimento para Desenvolvimento de São Vicente (MDSV) diz que o Estado da Nação é preocupante, principalmente devido ao funcionamento deficiente das instituições, quer a nível político, quer a nível do poder governamental. É que, segundo Maurino Delgado, o país não se desenvolve sem um povo trabalhador, sem bons dirigentes.

É fundamental despartidarizar a Administração Pública. Não se pode governar com qualidade e sentido de responsabilidade sem uma boa organização e sem bons quadros. Não se consegue isso com a partidarização da Administração Pública. As políticas eleitoralistas comprometem o desenvolvimento do país”, avançar o integrante deste movimento, realçando que, em São Vicente, o Poder Local contribui de forma significativa para o atraso da ilha porque foi “capturado por interesses eleitoralista e por interesses especulativos à volta dos terrenos urbanos, dois cancros terríveis ao desenvolvimento”.

Para Maurino Delgado, no caso particular de São Vicente, a extração de areia no Lazareto, que já vitimou muitas pessoas, é um exemplo do Estado da Nação, em que as pessoas são sujeitas a risco de acidentes graves por negligência das instituições. “O desastre de Lazareto é uma consequência indirecta da partidarização da Administração Pública. O MpD garantiu, durante a campanha, que faria as mudanças na AP com sentido de Estado. Ganhou as eleições e esqueceu o compromisso. No entanto, no Ministério do Ambiente, a mudança interrompeu o processo de normalização da extração de areia”, exemplifica.

Por tudo isso, este movimento afirma que Cabo Verde continua a ser gerido numa base eleitoralista. E a prova disso é que o Primeiro-ministro não para de fazer campanha, quando o normal seria ocupar da governação do país, assevera. “Queremos um PM que não esteja refém das promessas de campanha e de estratégias eleitoralistas. Queremos um PM com autoridade, com elevado sentido de Estado, que se esforce para ouvir os cidadãos e que não tenha medo de perder as eleições por governar”, pontua o porta-voz do MDSV, citando como fragilidades do PM a promessa de preservar o Centro Histórico do Mindelo. No entanto, permitiu a destruição do ex-Consulado Inglês e da Praça Dra Maria Francisca.

Outro sinal de que o Estado da Nação não é saudável é a enorme dificuldade para falar com os membros do Governo. No caso de São Vicente, afirma, mal se conhece os deputados porque não interagem com os eleitores. Por isso, não se lhes ouve discernir sobre assuntos importantes para a cidade, nomeadamente sobre a problemática do património histórico, a poluição sonora, a gestão municipal na sua relação com os emigrantes, de entre outros.  O mesmo acontece com a Assembleia Municipal de São Vicente que, de acordo com este activista mindelense, não se esforça para resolver os problemas da ilha.

Uma situação que se repete a nível de outras instituições da República. A Comissão dos Assuntos Constitucionais, Direitos Humanos, Segurança e Reforma do Estado da Assembleia Nacional que esteve de visita a São Vicente foi solicitada que levasse ao Governo as preocupações relativas às construções na ribeira em Chã de Alecrim. De acordo com este responsável, a presidente da referida comissão estranhou a passividade do Ministério Público na defesa do direito à um ambiente saudável e à vida da população desta localidade. Contuso, nada se fez para reverter este quadro. Aliás, as obras prosseguem a todo vapor. Lembra também que o Movimento Sokols 2017 interpôs uma providência cautelar junto do Ministério Público a pedir o embargo das obras, mas nada aconteceu.

Mas o responsável por todas estas situações, na óptica de Delgado, é o Poder Local que, afirma categoricamente, está cheio de defeitos que estão a prejudicar S. Vicente, uma situação que justifica a preocupação com o Estado da Nação e desta ilha em particular.

Constânça de Pina

 

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Essa estória de insistir na lamentação pela “destruição do ex-Consulado Inglês e da Praça Dra Maria Francisca.” é que estraga tudo. É por essas e por outras que alguns nos acusam de viver da contemplação do nosso passado, e que por isso não avançamos, e ficamos azedos com o progresso dos outros. Se é certo que devemos conhecer a nossa história, e preservar determinados marcos do nosso passado, temos que viver o presente, com os olhos no futuro. O ex-Consulado Inglês e da Praça Dra Maria Francisca desempenharam o seu papel no passado. Agora vão ter um novo papel para o futuro.

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