MpD e oposição divergem sobre a (in)segurança no país

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 O MpD (situação) e o PAICV, maior partido da oposição, voltaram a divergir sobre o estado de segurança no país no debate parlamentar deste mês de Maio. Se para o MpD a situação melhorou, não obstante a “herança deixada” pelo Governo anterior, o partido tambarina socorre-se dos recentes acontecimentos, principalmente do assassinato de um cidadão na ilha do Sal, assaltos à mão armada e desaparecimento de pessoas para alertar para um risco de o país “estar a caminhar-se para uma situação de ingovernabilidade”.

O tema foi introduzido pelo deputado do PAICV José Maria Veiga no período antes da ordem do dia. Este realçou que a segurança é a questão séria, complexa e determinante para o desenvolvimento de Cabo Verde. Por isso mesmo, para José Maria Veiga, os últimos acontecimentos como o registado na ilha do Sal, em que uma ilustre figura da ilha perdeu a vida na sequência de um assalto, o caso da Ribeira das Naus em Santa Catarina em que um cidadão foi decapitado, o da localidade de Ribeirão Manuel em Santa Catarina em que um casal de idoso foi vítima de um assalto na própria casa e acabou por perder a vida, acabam por espelhar o que está a acontecer um pouco por todo o país.

O deputado tambarina lembra que a questão de segurança já foi bastas vezes debatida, inclusive questionou o Ministro da Administração Interna, Paulo Rocha, sobre o aumento dos casos de assaltos em Santa Catarina com incidência em Ribeirão Manuel, mais concretamente em casas de emigrantes. Na altura, disse, sugeriu a criação de um posto policial naquela localidade para tranquilizar a população, o que o governante recursou.

A resposta do ministro foi não, argumentando que não se justifica do ponto de vista policial, operacional e de economia de meios a proliferação de unidades policiais. Disse ainda que os dados confirmam a redução da criminalidade tanto a nível nacional como em Santa Catarina e que em Ribeirão Manuel a PN recebeu em 2018 apenas duas queixas, sendo uma contra propriedade e outra contra residência”, criticou José Maria Veiga, contrariando as estatísticas avançadas pelo governante. Isso porque, segundo o deputado, nessa localidade, aconteceram pelo menos 18 casos de furtos e assaltos às residências, para além da notícia feita pela RTC sobre a tentativa de assassinato de um casal de idosos.

Isso demostra a grande necessidade de se implementar medidas de prevenção contra esse tipo de riscos. Diria que a solução global ou integrada, não só em termos de instalação de postos policiais, mas também pela qualidade, deve reflectir as políticas governamentais para os jovens em termos de formação profissional, de emprego, do desporto e cultura”, sugeriu Veiga, para quem é imperativo canalizar recursos orçamentais para estes sectores, sob pena de estarmos a construir uma sociedade que poderá ser surpreendida por acontecimentos que podem por em causa a nossa coesão.

Joana Rosa (MpD) reconheceu que tem havido casos de insegurança, mas frisou que é uma preocupação do Governo e que já se está a tomar medidas. “O plano estratégico de segurança visa essencialmente debelar um problema herdado e que tem vindo a ser combatido. Tanto assim é que, de acordo com as estatísticas, o índice de insegurança diminuiu no país substancialmente. Tem havido algumas especificidades, mas eu acho que não é a colocação de uma esquadra num local que impedirá os acontecimentos,” avaliou a eleita ventoinha para a ilha do Maio. Rosa afirma ainda que o PAICV não pode atribuir responsabilidades ao actual Governo porque o que está a acontecer são reflexos da falta de medidas quando este era poder.

As mortes de uma forma mais dolo possível, não são novidade. Nós, enquanto oposição, não deixamos de criticar. Antes não havia segurança e as pessoas tinham medo de circular à noite nas ruas, hoje as pessoas circulam”, defendeu Joana Rosa. Na sua visão, o que está a acontecer é que, com as medidas que estão a ser tomadas nos centros urbanos, os criminosos tendem a migrar para outros centros urbanos para continuar a os delitos.

Entretanto, para o eleito do na ilha do Sal PAICV, Adilson Maurício, a realidade, sem marcos, propaganda, mordaça ou demagogia, são relatos crescentes e assustadores de assaltos a pessoas e residências, a estabelecimentos comerciais e a turistas, desaparecimento de pessoas, crimes sexuais contra menores, assaltos com recursos a armas, crimes contra pessoas e sem respostas como é o caso de desaparecimento de crianças. No caso particular da ilha do Sal, Maurício relata assaltos com recursos a arma de fogo, roubos nos estabelecimentos em Santa Marina e na zona de Palmeira.

Já não se anda tranquilo, como se não bastasse agora mata-se à pedrada sem piedade. Agravando esta situação é o sentimento de impunidade que prevalece. Há vítimas de agressão expostas ao agressor e armas a entrar no país não se sabe como”, cita como exemplo. É por isso que este jovem deputado pede a união de vozes para manifestar e chamar a atenção para a insegurança que se vive no país, pois segundo o mesmo “o Governo que deve garantir e promover a segurança teima em fingir que tudo está bem.”

Em reacção, a deputada ventoinha Georgina Gimie reconheceu que o ambiente da ilha do Sal não é favorável e que os salenses estão preocupados, pelo que pediu uma solução. Mas esta defende que não se deve exagerar porque este quadro é sequela de anos de falta de planeamento na área turística, de políticas para acompanhar o crescimento populacional, dos poucos meios para a polícia poder fazer digna e correctamente o seu trabalho, menos rigorosidade na aplicação das leis por parte das autoridades judiciais, falta de implementação de medidas preventivas e de fiscalização da Câmara Municipal da Ilha.

“O Governo está a fazer a sua parte com reforço de meios de e afectivos este mês vai enviar 17 efectivos e mais outros técnicos  especialistas para colaborar com a base estando preparados para o policiamento de proximidade”, anunciou Georgina,  anunciando que em Setembro se iniciará o trabalho de colocação de vigilância na ilha.

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