MpD São Vicente elogia 13 de Janeiro, mas recusa posicionar-se sobre a ausência da TACV no AICE

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A presidente da Comissão Política Concelhia do MpD – São Vicente convocou hoje a imprensa no Mindelo para endereçar uma mensagem aos mindelenses e seus militantes por ocasião das celebrações do 13 de Janeiro – Dia da Democracia, da Liberdade e da Tolerância -, ainda que não tenha programado nenhuma actividade para esta ilha. Entretanto, confrontado com a falta de ligação aérea da Cabo Verde Airlines de/para o Aeroporto Internacional Cesária Évora (AICE), Maria Santos recusou determinantemente a dizer qual é a posição da CP que preside sobre esta decisão, escudando-se na desculpa de que os 300 mil contos que o Executivo investia mensalmente na transportadora aérea estão a ser canalizados para melhorar as condições de vida de “muitos” cabo-verdianos.

A mensagem sobre o 13 de Janeiro foi, basicamente, para mostrar satisfação por mais este aniversário, que este ano, a seu ver, recebeu como prenda a confirmação do “The Economist”, que reconhece Cabo Verde como espaço de democracia, aparecendo o arquipélago em primeiro lugar no grupo dos países de língua portuguesa e na posição 26 dos 167 países avaliados a nível mundial. Mas, ao analisar este relatório, Maria Santos “esqueceu” de dizer que Cabo Verde perdeu três posições neste ranking e só manteve o primeiro lugar do pódio porque os restantes países que falam português, no caso Portugal e Brasil, recuaram.

Ainda assim, mantendo o mesmo tom de satisfação, a presidente da CP de São Vicente afirma que o povo cabo-verdiano sabe distinguir quem governa “para os calendários eleitorais” e quem governa “para resolver os problemas do país, dos desfavorecidos, dos idosos e jovens”. “O MpD S. Vicente sabe que este Governo tem razões para festejar o 13 de Janeiro e congratula-se pela forma como o Orçamento 2019 foi concebido de modo a dar respostas acertadas aos problemas do país, promovendo a inclusão e a melhoria das condições de vida das pessoas, pelas formas mais diversas”, frisou, em clara contradição com economistas, empresários e outros que criticaram mais uma vez os parcos recursos disponibilizados para a ilha do Porto Grande.

Liberdade versus CV Airlines

O clima, que era tranquilo na conferência de imprensa, “aqueceu” ao ser questionada sobre o posicionamento da CP do MpD em São Vicente sobre retirada da CV Airlines do AICE, a manifestação realizada pelo Sokols a 17 de Dezembro e ainda sobre a recusa do director do Gabinete do Ministro da Economia Marítima em receber o abaixo-assinado com as 1.500 assinaturas a pedir a reposição das linhas da companhia de bandeira para a ilha. Em relação a essas questões, Maria Santos explicou que compreende e solidariza-se com aquilo que os cidadãos desta ilha estão a reivindicar. No entanto, ao comparar o número de pessoas que vão viajar de avião com as que precisam de melhores condições para que a sua vida se processe com o mínimo de dignidade, defende que não é prioritário investir na CV Airlines.

“A CV Airlines ainda não está a conseguir andar com os seus próprios pés. Eu confiaria naquilo que o Governo está a fazer no sentido de tentar revitalizar esta empresa – que ficou moribunda tantos anos, sem aviões, sem capital e sem credibilidade -, ao invés de hipotecar os recursos dos cabo-verdianos na empresa. Utilizar estes 300 mil contos para melhorar a vida das pessoas é prioritário. Chegará o momento em que, de facto, será possível garantir esta ligação, sem interrupção, de/para São Vicente. Este não é um problema que vai ficar sem solução sine die. Vamos confiar que se está à procura das melhores soluções.”

Questionada se, até lá, não se está a hipotecar o desenvolvimento económico desta ilha, Maria Santos foi taxativa: “São Vicente não está parada”, afirma. “A situação seria grave se não tivéssemos alternativa”, acrescentou. “E há alternativa?”, insistiu o Mindelinsite. Perante esta questão, a líder partidária local respondeu que a solução não é com a CV Airlines, mas sim com a TAP que, lembra, faz neste momento seis ligações por semana entre São Vicente e Portugal. Confrontada, entretanto, com o preço das passagens da companhia portuguesa, Maria Santos optou por dizer que este é um custo que a companhia nacional não está em condições de assumir. “Está-se a trabalhar para que se tenha condições financeiras para garantir a viabilidade da CVA. Mas 300 mil contos é muito dinheiro, sobretudo quando há pessoas a precisar deste recurso para a sua sobrevivência. É um investimento sem garantia de retorno”, diz, deixando ao mesmo tempo claro que defende os voos da CV Airlines em São Vicente porque também viaja e é mindelense.

Maria Santos argumenta, por outro lado, que a TAP, não obstante os seis voos semanais para São Vicente, viaja quase sempre com metade da sua capacidade. E isso mesmo durante a época alta, quando a procura é maior. Talvez por isso, insinua, o nível dos preços praticados pela Transportadora Aérea Portuguesa. “Não posso falar pela TAP, mas estou em crer que estes são para cobrir as despesas de funcionamento da empresa. Não estou a defender ninguém, nem a TAP, nem a CA Airlines. É a minha opinião”, finaliza.

Constânça de Pina

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2 COMENTÁRIOS

  1. Ó Maria Santos. Dizes que há-de chegar o momento em que a CVA lines irá viajar para SV. Quando? Quando as empresas estiverem falidas ou sairem da ilha e irem para Praia? Não vês que nesse momento já não será necessário a CVAlines?

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