Mulheres, Celebrem

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Às mulheres das nossas vidas, às que amamos, às que conhecemos, às que idolatramos, às por quem passamos na rua e com quem trocamos um sorriso, às que nunca conheceremos, mas que sentimos dentro de nós.

A 8 de Março celebra-se o Dia Internacional da Mulher. E, o que eu aprendi é que a data foi convencionada como o dia da Mulher, em homenagem a 130 mulheres que, em 1857, foram mortas ao serem trancadas dentro da fábrica onde trabalhavam por protestarem, em greve, contra as condições laborais. O resultado foi a morte, por carbonização, após o incêndio que foi, intencionalmente, despoletado.

Este dia não é unicamente para nós, Mulheres, é também para toda a sociedade machista e privilegiada. O objetivo é lembrar que estamos aqui para ficar e lutar pelo nosso direito inato que foi retirado à grande maioria  à nascença: a liberdade! Liberdade de ser e agir.

Nós não precisamos da vossa validação, sociedade machista, sabemos bem o nosso valor, a nossa força, a nossa determinação. Este dia é para vós, também, para reflexão, evocando o vosso privilégio, qualquer que seja ele, a vossa voz, o vosso empenho, para que o melhor se instaure; para que os nossos filhos cresçam com a noção natural do amor genuíno, respeito e valor para com todas as mulheres; para que eles celebrem sempre, e mais, as similaridades que existem entre nós humanos e não engrandeçam as diferenças, que se atenham aos géneros; para que a compaixão, expressão de amor, empatia sejam traços generalizados; para que as nossas meninas sirvam os deuses da felicidade, garra e amor-próprio com a mesma naturalidade com que respiram; para que não aceitem amordaças ou regras impostas, somente pelo facto de terem nascido mulheres; para que saibam que o casamento é o resultado da união de duas almas que se amam e não o único propósito para o qual vieram a este mundo.

Sociedade machista, este dia também é vosso, resultado das vossas acções e lembrete dos vossos pecados. Não precisamos da vossa felicitação, precisamos que acordeis para o mal que tendes perpetuado durante milénios.

Este dia existe como lembrança de que, por mais que vos esforceis nos outros 364 dias do ano para nos calares, arrancaremos a mordaça que à força tentais manter nas nossas bocas, as algemas e correntes nos nossos pulsos e calcanhares; partiremos a espada apontada e sempre presente sobre a nossa nuca, para nunca levantarmos o olhar.

É um presente nosso, um dia de conscientização, um dia para se celebrar a vida em todas as suas formas e para se repensar valores, leis, normas e readequá-los ao que significa ser-se humano. Pois somos nós, todos nós, humanos, que formamos e criamos a nossa sociedade, e esta deveria ser uma representação do nosso melhor e não do nosso pior.

Por fim, este dia é uma ode à solidariedade, generosidade, sinceridade e amor entre as mulheres, ao empoderamento, à certeza de que “uma alavanca, outra enaltece”, “juntas chegamos mais longe e melhor”, “quando uma cresce, todas crescem”.

Às mulheres das nossas vidas, às que amamos, às que conhecemos, às que idolatramos, às por quem passamos na rua e com quem trocamos um sorriso, às que nunca conheceremos, mas que sentimos dentro de nós. Nós podemos!

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