Nacional de andebol masculino: Atlético regressa sem título e com sentimento de injustiça

598

O Atlético do Mindelo saiu do polidesportivo Vavá Duarte no Sábado à noite com o sentimento de injustiça, após perder a final do campeonato de Cabo Verde por uma bola de diferença com o Desportivo da Praia. O encontro foi equilibrado e acabou em polémica, com o Atlético a acusar a arbitragem de ter sentido receio de sancionar a equipa adversária com base nas novas regras da modalidade, o que acabou por facilitar a vitória da formação praiense nos últimos instantes. É que, quando faltava um minuto e com o placar a registar uma vantagem de duas bolas para o Desportivo, houve três casos que, segundo Aquilino Fortes, deveriam dar lugar à expulsão de dois atletas da equipa adversária e consequente marcação de livre de sete metros.

 “Eu até entendo o receio dos árbitros porque, caso aplicassem as regras como manda a lei, acho que o jogo não iria terminar porque certamente que os adeptos do Desportivo iriam invadir o campo”, especula Fortes, antes de enumerar as situações que, na sua leitura, foram mal sancionadas pelos juízes da região desportiva de Santo Antão. “O primeiro incidente foi a validação de um golo marcado pelo interior Guá, após clara falta atacante. Ao ver que não tinha caminho livre para a baliza, o atleta do Desportivo usou o braço esquerdo para atingir o defesa Fernando no rosto, ultrapassou o adversário e abriu espaço para o remate; o segundo lance polémico aconteceu segundos depois, quando o Atlético recupera a bola e, no momento em que o nosso guarda-redes preparava-se para o contra-ataque, foi impedido de propósito por Abalô. Com base nas novas regras, o jogador do Desportivo seria desqualificado e marcado sete metros porque a diferença de golos era a mínima e faltava menos de 30 segundos para o fim da partida”, comenta Aquilino Fortes.

Um terceiro facto enaltecido pelo técnico do Atlético foi um remate intencional que o jogador Guá disferiu à cara do guarda-redes Juary, quando a partida estava parada. O jogador acabou por receber cartolina vermelha e, na perspectiva do timoneiro do clube mindelense, deveria ser assinalado sete metros.

Esses lances aconteceram num momento de especial tensão dentro e fora do campo. Na perspectiva do treinador do Atlético, caso a sua equipa saísse vencedora poderia haver incidentes graves dentro do recinto. Além disso, a segurança foi assegurada por apenas dois policiais da ordem pública, uma força insuficiente para dar conta de recado da multidão que foi ver a final. Aliás, assim que soou o apito final, dezenas de pessoas invadiram o campo, umas festejando outras com atitudes pouco pacíficas, como foi visto na transmissão em directo da partida via internet.

O Atlético, segundo Fortes, poderia protestar o jogo, por causa dos erros técnicos da arbitragem. “Só que no calor do momento isso não me passou pela cabeça. Mas, vendo as coisas agora por fora, não acredito que isso pudesse dar nalguma coisa. Até porque parte dos nossos jogadores tinha viagem de regresso marcada para a manhã de Domingo. Pergunto como é que iriam resolver esse problema”, salienta.

O Atlético tinha por objectivo recuperar o título que lhe foi “roubado” pelo Desportivo no ano passado, na ilha da Boa Vista. Porém, a equipa de S. Vicente entrou mal na partida, tal como havia acontecido na ilha das dunas. A formação mindelense esteve a perder por seis golos, mas recuperou a desvantagem, conseguiu o empate, mas foi para o intervalo a perder pela margem mínima. No segundo período, o Desportivo voltou a colocar-se na frente do marcador, muito por culpa de três erros consecutivos cometidos pelos campeões do Mindelo e convertidos em golo.

Mesmo assim, os atléticos nunca baixaram os braços e um deles foi claramente o esquerdino Rafael Cruz, distinguido como o melhor jogador do campeonato. “Foi uma final muito bem disputada, um espectáculo que agradou o público e enalteceu o andebol. Para mim isto é que o mais importante. Houve erros da arbitragem, mas não gosto de comentar o trabalho dos juízes, que é complicado”, comenta Rafa, que não esconde o seu orgulho em receber o troféu de melhor atleta de Cabo Verde. Para ele, isso representa o seu esforço e tudo aquilo que aprendeu no Atlético do Mindelo.

Verdade seja dita, o Atlético defrontou um Desportivo ao seu estilo: rápido ao ataque e agressivo na defesa. Além disso apoiado pelo seu público. Uma equipa que brigou pela reconquista do título.

Por seu lado, o Atlético usou e abusou de um sistema defensivo muito alto, que fragilizou e de que maneira a interajuda entre os jogadores e facilitou as entradas dos adversários ora pelo interior ora pelas pontas. E terá sido por aí que o campeão de S. Vicente acabou por perder o controlo do jogo.

O Desportivo revalida assim o título de campeão nacional. E por uma interessante coincidência, o campeonato deste ano foi uma fotocópia da época transacta, em que S. Vicente e Santiago Sul foram os finalistas e Sal e Boa Vista disputaram o terceiro e quarto lugar. Lenine, atleta do Desportivo, foi considerado o melhor guarda-redes e a Académica do Sal ficou com o troféu fair-play.

Foto: www.facebook.com

(Visited 646 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here