Nigerianos integrados em S. Vicente, mas falta o cartão de residência

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A comunidade nigeriana residente na cidade do Mindelo está preocupada com as implicações nas suas vidas por causa dos entraves que enfrentam para conseguir o cartão de residência em Cabo Verde. É que sem esse documento, segundo Justice Igwenagu, presidente da Associação dos Nigerianos em S. Vicente, ninguém quer correr o risco de sair e ser impedido de reentrar no arquipélago.

“Tem sido uma batalha conseguir o cartão de residência, que é emitido na cidade da Praia. Por esta razão muitos ficam indocumentados e bloqueados em Cabo Verde. Quem sair pode ser impedido de regressar, o que implicaria perder tudo aquilo que já construiu”, realça esse líder comunitário, para quem esse é neste momento o problema mais urgente que os nigerianos, mas também os cidadãos de outros países africanos, querem ver resolvido. Por esta razão, acrescenta, a Plataforma das Comunidades Africanas Residentes em Cabo Verde foi envolvida nesse processo e tem estado a trabalhar junto dos serviços da Emigração para ajudar na regularização dos indocumentados.

Os resultados tardam a chegar, mas, segundo Justice, os mais de cinquenta nigerianos que escolheram Mindelo para trabalhar estão integrados na sociedade e adoram viver em S. Vicente. “É uma ilha onde nos sentimos bem. Aqui desenvolvemos a nossa actividade económica, além disso podemos sair e voltar para casa sem o medo de sermos agredidos ou assaltados”, salienta esse comerciante nigeriano, que costuma transacionar mercadorias que importa do seu país.

Ao contrário daquilo que as pessoas pensam, segundo Justice Igwenagu, os nigerianos não costumam vender bugigangas – como relógios, pulseiras, etc. – nas ruas de Mindelo. Esse género de actividade, esclarece, é mais típica de membros de outros países da costa oeste. “A maior parte dos nigerianos trabalha como negociante na Praça Estrela, como ferreiro e como gestor de Cybers. Posso dizer que não costumamos ter problemas com a Câmara de S. Vicente e tão pouco com a Polícia”, garante esse nosso entrevistado, que enaltece o facto de Cabo Verde ser um país sem guerra, sem grandes tensões sociais e que respeita a religião do outro, o que agrada quem vem de fora.

Neste momento, aquilo que a Associação dos Nigerianos em S. Vicente pretende é criar formas de intensificar a integração social dos seus membros, constituídos na sua maioria por homens, nomeadamente através de actividades culturais. Aliás, essa organização está a preparar um programa para celebrar a Independência da Nigéria na cidade do Mindelo, que acontece a 1 de Outubro. Um evento que, diz Igwenaku, vai provocar uma maior proximidade entre nigerianos e cabo-verdianos, tal como aconteceu com a recepção que comitiva do Carnaval d’Mindelo teve em Abuja, por ocasião da festa dos 25 anos do Afreximbank.

KzB

 

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1 COMENTÁRIO

  1. Não e só para os nigerianos que o cartão de residencia demora , os cubanos e brasileiros estão na mesma situação; é um problema da Praia.

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