Obra abre buraco na parede traseira do dojo Wado-kai Karaté-Do Clube e provoca suspensão das aulas

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Uma obra em início de construção provocou ontem a suspensão imediata e por tempo indeterminado das aulas de artes marciais na escola Wado-kai Karaté-Do, em S. Vicente. É que as máquinas, que iniciaram os trabalhos ontem de manhã, acabaram por demolir parte da traseira do dojo, criando uma brecha na parede e no tecto da área destinada ao escritório e arrecadação. Além disso, segundo Denilson Rocha, um dos alunos mais antigos e responsável pelas chaves do espaço, a própria casa-de-banho ficou afectada, o que está a colocar em causa a funcionalidade do dojo.

“Um local desportivo como esta escola que recebe crianças, jovens e adultos não pode existir sem uma casa-de-banho. Além disso começaram a demolir o tanque da escola, que tem neste momento cinco toneladas de água. Portanto, vamos ficar sem o escritório-arrecadação, sem casa-de-banho e sem água. Além disso, tivemos que guardar alguns materiais na sala de treinos para não ficarem expostos por causa do buraco feito na parte traseira”, contesta Denilson Rocha.

A situação, acrescenta esta fonte, apanhou os responsáveis da escola desprevenidos. Estes, segundo Denilson Rocha, em nenhum momento foram informados dessa intervenção, pelo que não puderam tomar as medidas preventivas necessárias. Deste modo, diz, foram colocados perante um facto consumado, que está a ter implicações graves. “Recentemente fizemos várias obras de remodelação desta escola, que estava em estado de degradação. Com a ajuda de empresas e amigos conseguimos reabilitar o dojo, que passou a funcionar com outras condições de forma normal. Investimos quase mil contos aqui e agora tudo isso está em causa”, salienta esse aluno.

Buraco feito na parede traseira da escola

Este realça que as intervenções foram feitas com base numa autorização emitida pela Câmara de S. Vicente em 2013. Acrescenta ainda que há pelo menos dez anos que a escola tem tentado legalizar este espaço para desenvolver um projecto desportivo, mas nunca obteve uma resposta da autarquia. “Entretanto ficamos a saber que venderam três lotes nesta zona, o que estranhamos”, adianta Denilson Rocha, que adiantou ao Mindelinsite que já deram as démarches para embargar pelo menos duas obras em curso junto à escola. É que ambas, diz, colocam em causa a integridade e o funcionamento desse estabelecimento desportivo, que existe há mais de trinta anos.

Este jornal contactou o dono de uma das obras, mas este remeteu-nos para a Câmara de S. Vicente. Abordamos telefonicamente o vereador Rodrigo Rendall, este confirmou que chegou a autorizar obras de remodelação na escola quando era responsável pelo Urbanismo, mas enfatiza que neste momento essa área não é da sua atribuição. Mesmo assim assegurou que vai tentar apurar o que se passa e voltar a um contacto com este jornal.

Segundo Denilson Rocha, a escola ficou em estado vulnerável e sem possibilidade de ministrar aulas, até porque tiveram que colocar alguns equipamentos no tapete de treino.

Kim-Zé Brito

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2 COMENTÁRIOS

  1. Extrato da nota de imprensa do Movimento para o desenvolvimento de São Vicente referente a 31 de outubro, dia mundial das Cidades. Ler na íntegra no site santiagomagazine.cv/index.php/sociedade/3589-cidades – sustentaveis-que-políticas-que-materializacao
    A Câmara Municipal de São Vicente continua vendendo, na Cidade do Mindelo, para especulação imobiliária tudo o que seja espaço, mesmo reservas administrativas, espaços verdes, largos, praças, terrenos para infraestruturas desportivas, escolares e outras, sem qualquer estratégia de desenvolvimento sustentável.
    A Cidade do Mindelo que era um modelo de Cidade Sustentável, está sendo desconstruída porque as normas técnicas e científicas que promovem a sustentabilidade das cidades não são respeitadas pela Câmara Municipal e, o Governo, como Órgão de Soberania, não toma medidas por razões eleitoralistas. à Assembleia Municipal é culpada, os Deputados são culpados, o Governo é culpado e mais culpados ainda somos nós os munícipes de São Vicente que não defendemos as
    infraestruturas que são fundamentais para o funcionamento saudável de uma cidade.

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