Obras na Praça Dotora: Movimento cívico pede reconversão do projecto para melhor servir São Vicente

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O Movimento para a Salvaguarda do Património Histórico e o Desenvolvimento de São Vicente convocou a imprensa no Mindelo para protestar contra aquilo que classifica de “destruição ou a descaraterização da Praça Drª Maria Francisca”. Maurino Delgado e Lídio Silva, que se apresentaram como porta-vozes do grupo, pediram aos promotores a reconversão do projecto num parque de estacionamento para melhor servir os interesses para que Mindelo seja uma cidade sustentável, segura, saudável e amiga do ambiente.

Maurino Delgado começou por homenagear a médica Maria Francisca, nascida a 27 de Julho de 1903 em Santo Antão e que dá nome à praça erigida como símbolo de gratidão pelo seu “humanismo, trabalho incansável e pela forma como soube exercer a profissão ao longo da vida”. Um trabalho que, diz, foi reconhecido fora do país pela fundação de Direitos Humanos Pro.Dignitte, que incluiu o nume de Maria Francisca numa lista de mulheres que marcaram o século XX, ao lado de personagens como Madre Teresa de Calcutá e da pacifista israelense Lea Rabin. “Estamos perante uma figura marcante da nossa história”, afirma este activista, realçando que esta praça foi vendida por Onésimo Silveira, enquanto edil da Câmara de São Vicente que, como disse Aristides Pereira nas suas memórias, é capaz de fazer coisas muito boas, mas também muito más. E, vender a Praça Doutora Maria Francisca, frisa, é das coisas “muito más” que esse ex-autarca fez.

Para as pessoas que vêm este movimento como um “grupo contra o desenvolvimento”, Delgado garante que, na verdade, querem o melhor para a ilha. “Aqueles que dizem que somos contra o desenvolvimento servem-se da ignorância do povo quanto ao valor do património histórico para defenderem os seus interesses e encaixarem os seus projectos lá onde pretendem”, esclarece. Na sua perspectiva, nem a Câmara nem o Governo estão a governar S. Vicente visando o interesse dos munícipes. Ao contrário, diz, estão a matar a “galinha dos ovos de ouro”.

“A Câmara e o Governo, ao destruírem o património histórico, estão a cometer um crime grave contra a economia de São Vicente e a violar a lei”, diz Delgado, lembrando que no passado os deputados consideraram estes bens tão importantes que trataram de os proteger directamente na Constituição. Por isso mesmo, o movimento condena vivamente a decisão do Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) que, afirma, “numa atitude de cumplicidade diante da destruição do património histórico de São Vicente”, desregularizou o sistema para facilitar determinados interesses.

“Extinguiu as curadorias dos centros históricos que, segundo ele, foram criadas para fazer concorrência às câmaras municipais; despediu por email o anterior presidente do IPC, Charles Akibodé, técnico experiente porque este não convinha aos interesses em jogo; veio insinuar em São Vicente que havia um grupo contra o desenvolvimento da ilha, numa estratégia de pôr a população conta aqueles que defendem a preservação do património. Este é o ministro da Cultura que temos”, exemplifica.

Sobre a construção da galeria no espaço onde hoje é a Praça de Dotora, lembra que nas proximidades desta praça havia um parque de estacionamento que servia Alto de São Nicolau, uma das zonas económicas mais importantes de São Vicente, que foi “comido” pelo projecto. É que nesta zona localizam-se vários restaurantes, residenciais, bares, uma discoteca, um núcleo significativo de moradores, os serviços do Cartório Notarial, sindicatos, além do hotel que está a nascer no ex-Consulado Inglês. E ainda a Uni-Mindelo, o Instituto Nacional de Previdência Social, a Câmara do Comércio, de entre outros. “Todas estas infraestruturas precisam de um parque de estacionamento e a única área que ainda existe e que pode servir este fim é justamente onde se pretende construir o centro comercial.”

Por tudo isso Maurino não tem dúvidas de que, se o projecto avançar da forma como está elaborado, vai ser mais um “cancro urbanístico” em São Vicente. Esta constatação justifica, a seu ver, o pedido para a reconversão deste projecto num parque de estacionamento, para melhor servir os interesses da ilha.

Constânça de Pina

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4 COMENTÁRIOS

  1. Não acredito… Parque de estacionamento??????????????????????????????????????????????????????????????????
    Cansada das blasfémias desse grupinho sem noção!!!!!!!! Sinceramente trocar um investimento de grande calibre para SV por um parque de estacionamento!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Tem lugar de sobra para parcar os carros meus caros.
    Depois reclamam que não se investe em SV…. tsss…tssss…tssss Parque de estacionamento!
    Perda de tempo meus caros….

  2. BSOT BSCÁ QUE FAZÊ EM VEZ DE DÁ PALPITES SEM NEXO E SEM LÓGICA!
    BSOT CRE DZE QUE UM PARQUE Ê AMEDJOR QUE UM GALERIA ONDÊ QUE TITA BA TER TCHEU EMPREGO E QUE TA SIRVI AMEDJOR POVE DESS ILHA! NÃÃÃÃÃÃÃOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!! JAMAIS!

  3. Será que a generalidade dos Mindelenses com menos de 50 anos, sabia quem foi a Drª Maria Francisca, mesmo os mindelenses que tiraram um curso superior? Será que os actuais contestatários da solução promovida por um privado, alguma vez constestaram ou procuraram moblizar a população para que se tentasse mudar o estado deplorável da Praça da Dotora? Será que os mindelenses contestários da actual solução, alguma vez procuraram que os Serviços de Educação introduziseem nos curricula da primária, da secundária ou do superior uma qualquer alusão ao mérito da Drª Maria Francisca? Este tipo de sociedade reactiva personalizada pelos contestários explica bem porque e que o Mindelo está a ficar para trás. Infelizmente o nosso problema é que a sociedade civil não tem propostas. Só reage. E assim vamos indo.

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