“Ocean Week”: Cabo Verde prestes a integrar projecto de investigação WASCAL

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A Universidade de Cabo Verde está trabalhando para assinar um protocolo que integra o país no programa de Investigação do Centro de Serviço da Ciência do Oeste Africano sobre Mudanças Climáticas e Uso do Solo (WASCAL). O projecto, desenvolvido com o apoio da Geomar e da Universidade de Kiel, na Alemanha, disponibiliza vinte vagas para estudantes de pós-graduação nas áreas de oceanografia, pesca e gestão costeira. Neste momento já há financiamento aprovado para quatro anos, orçado em um milhão de euros e o ideal seria iniciar já no início de 2019, segundo a investigadora e docente Corrine Almeida. Entretanto, o projecto encontra-se em stand by por questões burocráticas.

“Daquilo que competia à universidade fazer já avançamos bastante, o programa já está todo delineado e encaminhado nos órgãos para aprovação. A própria universidade já se disponibilizou a firmar, através da sua administração, um memorando de entendimento com a Wascal; inclusive era para isso acontecer ainda nesta semana. Infelizmente, embora Cabo Verde tenha aderido desde Janeiro de 2017, o processo burocrático a nível do Governo ainda está sendo processado. Por isso temos o receio que não tenhamos a possibilidade de ter acesso ao financiamento para iniciarmos já no início do próximo ano, como pretendíamos”, explica Corrine.

Entretanto, por sorte ou acaso, este atraso coincide com o momento em que a própria Wascal está passando por um processo de reorganização, o que possibilita ainda um compasso de espera a Cabo Verde. “Em princípio, as convocatórias deveriam ter sido lançadas em Setembro, nos vários países participantes, para seleccionar os estudantes, mas isso não foi feito ainda por causa desse processo de organização por que passa a Wascal no momento. Esse é um mal que acaba nos convindo porque dá-nos um compasso de espera e se calhar ainda conseguiremos ir a tempo do processo de ractificação e ainda entrar no próximo ano”, considera.

Cabo Verde é o 13º país a entrar nesse programa e, a partir do momento em que tenha ractificado o protocolo, passa a participar efectivamente do programa. Os estudantes não somente participarão no curso, que será ministrado na Universidade de Cabo Verde, mas também poderão participar nas várias formações nos demais países. Tem a ver, todos eles, com mudanças climáticas, mas associados a diferentes sectores, nomeadamente o uso do solo, a economia, entre outros.

Segundo Corrine Almeida, já está garantido financiamento para se trabalhar com duas edições, em 2019 e 2020 e 2021 e 2022. No total serão vinte vagas a serem oferecidas, sendo que cada país deve recrutar dois ou três estudantes. Desses 20 estudantes, 12 terão bolsas de subsistência, estadia e necessidades de viagem garantidas, uma bolsa de investigação e um computador portátil, que será doado a cada um dos participantes.

Para Corrine, integrar o projecto Wascal é mais uma das vias para Cabo Verde se aproximar dos países da sua sub-região. “Será o primeiro curso de pós-graduação ministrado em inglês em Cabo Verde, o que nos obrigará a fomentar o desenvolvimento na fluência dessa língua. Por outro lado, nós contamos com forte engajamento da universidade, particularmente do Geomar, que nos apoiarão no sentido de desenvolvermos um conjunto de investigações, não somente a nível dos estudantes, mas dos investigadores e docentes”.

O curso decorrerá maioritariamente na Universidade de Cabo Verde, mas os estudantes deverão fazer duas semanas de treinamento no mar e ir a Alemanha onde terão mais três semanas de estudo e contacto com algumas instituições parceiras.

O WASCAL é um centro de serviços focado em pesquisa em grande escala, projectado para ajudar a enfrentar o desafio climático e aumentar a resiliência dos sistemas humanos e ambientais à mudança climática e aumento da variabilidade. Isso é feito através do fortalecimento da infraestrutura de pesquisa e da capacidade na África Ocidental relacionada à mudança climática e reunindo a expertise de dez países da África Ocidental e da Alemanha.

O projecto foi apresentado ontem no decorrer da primeira edição da Cabo Verde Ocean Week, pela investigadora Corrine Almeida.

Natalina Andrade (Estagiária)

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