OMS alerta para aumento de cólera no Zimbabwe

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O número de casos suspeitos de cólera no Zimbabwe ultrapassou os quarto mil, segundo informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), que alertou ainda para a rápida expansão da doença. “Estão a ser registados entre 400 a 700 casos por dia. São muitos e é um dado muito relevante, tendo em conta que vivem dois milhões de pessoas em Harare”, afirmou o porta-voz da OMS, Christian Lindmeier.

Os primeiros casos da doença foram detectados em Harare. Mas já há registos em Chitungwiza, uma cidade próxima da capital, e outros isolados em cinco das dez províncias do país. Três pessoas foram na última sexta-feira colocadas de quarentena em Bulawayo, a segunda maior cidade do Zimbabwe, por apresentarem sintomas de cólera, de acordo com o jornal zimbabueano Chronicle. As autoridades declararam o início do surto no dia 06 de Setembro e decretaram o estado de emergência na passada terça-feira, dia 11.

A OMS enviou vários especialistas em doenças virais para o país para a organização de campanhas de vacinação e para a entrega de material para reidratação e antibióticos para tratar os infectados. Lindmeier afirma que, embora a campanha de vacinação esteja a ser organizada, deve-se procurar melhorar as condições de higiene e saneamento, além da origem do surto. “Temos de responder depressa, antes que fique fora de controlo”, indicou, realçando que o epicentro do surto está na capital e há que “vigiar o que acontece em zonas remotas”.

O Ministério da Saúde do Zimbabwe e a OMS alertaram que esta estirpe da bactéria parece resistir à acção dos antibióticos presentes no país. As autoridades proibiram qualquer reunião pública em Harare, num esforço para conter o surto de cólera que já provocou a morte de pelo menos 28 pessoas, segundo o Ministério da Saúde. A Universidade do Zimbabwe, em Harare, adiou a cerimónia de formatura marcada para ontem, sexta-feira. Na terça-feira, o país declarou estado de “emergência sanitária” devido ao surto de cólera que já provocou a contaminação de 2.000 pessoas com água. O surto começou nos subúrbios de Glen View e Budiriro, onde, segundo funcionários do Conselho Municipal, uma fuga de esgoto contaminou a água dos poços que abastecem as comunidades locais. Harare, como muitas outras aldeias e cidades do país, não dispõe de água potável suficiente, obrigando os habitantes a usar água de poços não protegidos. O Governo pediu ajuda às Nações Unidas e a empresas privadas para que abasteçam as zonas contaminadas com água potável. Esta é a quarta vez, nos últimos 15 anos, que a cólera atinge o país. Trata-se de uma doença tratável, mas que pode ser mortal se não for tratada a tempo. Em 2008 e 2009, a maior epidemia de cólera registada na história do país matou mais de 4.000 pessoas em nove meses e mais de 90 mil foram infectadas.

Fonte: Lusa

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