ONU alerta para tragédia humana se não houver assistência alimentar urgente na República Centro-Africana

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Cerca de dois milhões dos 4,6 milhões de habitantes da República Centro-Africana (RCA) precisam de uma “acção alimentar urgente”, alertou a Organização das Nações Unidas, em comunicado do Programa Alimentar Mundial (PAM) sobre a situação neste país.

Um estudo sobre a segurança alimentar na RCA apresentou “os piores resultados desde 2014, com 1,9 milhões de pessoas a precisarem de uma acção alimentar urgente”, advertiu o porta-voz do PAM, Hervé Verhoosel. “Para evitar uma tragédia humana” é preciso uma atenção e uma acção. “As condições nutricionais na RCA continuam a deteriorar-se, devido à insegurança persistente”, declarou Hervé Verhoosel.

No início de Novembro, verificou-se uma nova onda de violência, com incidentes em Batangafo, no norte, Bambari, no centro, e Zémio, no sudeste, obrigando milhares de civis a fugir. Dos 620 mil deslocados, 60% vivem em famílias de acolhimento, detalhou o PAM, sublinhando que “a deterioração contínua de uma situação já extremamente grave no terreno tem uma implicação directa sobre a segurança alimentar”.

A República Centro-Africana caiu no caos e na violência em 2013, depois do derrube do ex-Presidente François Bozizé, por vários grupos juntos na designada Séléka (que significa coligação na língua franca local), o que suscitou a oposição de outras milícias, agrupadas sob a designação anti-Balaka.

O conflito neste país, com o tamanho da França, já provocou 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2,5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.

O governo do Presidente, Faustin-Archange Touadéra, um antigo primeiro-ministro que venceu as presidenciais de 2016, controla cerca de um quinto do território.

O resto é dividido por mais de 15 milícias que, na sua maioria, procuram obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.

Fonte: Observador

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