PAICV critica funcionamento dos serviços de Saúde em São Vicente

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Os deputados do PAICV eleitos por São Vicente consideram deficiente o funcionamento dos serviços de saúde na ilha. Contestam, por exemplo, a reestruturação desses serviços, a perspectiva de encerramento dos centros da Ribeira d’Craquinha e Fonte Inês, a demora na instalação do centro de hemodiálise no Hospital Baptista de Sousa (HBS), a falta de periféricos para o funcionamento do mamográfo oferecido pelo Rotary Club e de atendimento direccionado à mulher na prevenção de alguns tipos de cancro.

As inquietações dos eleitos do PAICV foram avançadas ao Mindelinsite no término da visita dos mesmos ao círculo, dedicada à Saúde. Segundo Manuel Inocêncio Sousa, a primeira preocupação registada tem a ver com a reestruturação dos serviços dessa área na ilha, que prevê o encerramento dos centros de saúde da Ribeira d’Craquinha e Fonte Inês. É que no dia 20 de Março foi apresentado um estudo a recomendar o fecho destas estruturas. Entretanto, na Terça-feira o Delegado de Saúde afirmou, em conferência de imprensa, que o espaço da Ribeira d’Craquinha vai continuar a funcionar por se tratar de uma zona de expansão.

“Neste momento estamos perante a determinação do ministério da Saúde de fechar os centros destes bairros e a palavra do Delegado de Saúde a dizer que apenas um – o de Fonte Inês – é que será encerrado. O PAICV defende que não faz sentido desactivar os centros, que são um avanço na oferta de cuidados primários próximos da população”, afirma, realçando que a estatística mostra que estas estruturas oferecem entre cinco a seis mil atendimentos por ano e que a população fica mais activa quando o serviço fica mais perto de casa.

Reforçar a capacidade dos centros

Para este eleito nacional, apesar de se recomendar o fecho de algumas estruturas, o estudo desafia os centros de saúde a oferecerem mais serviços para reduzir a demanda no Hospital Baptista de Sousa, muito por causa da falta de equipamentos de apoio aos diagnósticos e de acompanhamento dos doentes. “Por isso, defendemos que o caminho é o reforço da capacidade destes centros de saúde em termos de equipamentos e recursos humanos, por forma a se libertar o hospital central, que deverá concentrar-se nos cuidados secundários e outros”, frisa.

Manuel Inocêncio Sousa sugere, por outro lado, a revisão do custo das taxas moderadoras, tendo em conta que nos centros de saúde paga-se 300 escudos por consulta, enquanto que no hospital cobra-se apenas 100 escudos para um atendimento de urgência. Este facto, a seu ver, inverte a lógica inicial de se tentar reter as pessoas nos seus bairros. Chama atenção ainda para o problema dos doentes renais, que não estão a ser evacuados porque os serviços de hemodiálise na Praia estão superlotados, mas também ficam limitados porque o processo de implementação de um serviço similar em São Vicente não avança.

“Após a implementação do serviço na Praia, devia-se no imediato avançar para uma segunda fase, com a criação do centro de hemodiálise no HBS, o que não aconteceu. Neste momento, o centro de hemodiálise da Praia já não consegue dar vazão à demanda, pelo que o Ministério da Saúde precisa avançar rapidamente com o de São Vicente”, avisa este deputado, criticando igualmente a falta de um centro de mamografia no HBS, o que obriga as pessoas a recorrer ao privado, sendo que a maioria não tem condições para custear tais exames.

Para este eleito nacional, esta falha acaba por deitar por terra toda a sensibilização à volta do rastreio do cancro. Lembra que o Rotary Club do Mindelo ofereceu um mamógrafo ao HBS há cerca de um ano, mas que entretanto não funciona porque falta-lhe alguns equipamentos periféricos. “É inaceitável. Primeiro o hospital tinha dificuldades em adquirir este equipamento; mas, agora que lhe foi oferecido, continua a não fazer exames porque o hospital e o ministério não disponibilizam recursos para comprar os periféricos para o seu funcionamento”, ironiza.

A situação agrava-se ainda mais porque os exames de Citologia, que antes eram feitos no serviço de Planeamento Materno-Infantil da Bela Vista num curto espaço de tempo e a preços acessíveis, foram transferidos para o hospital. O problema é que no HBS a lista de espera e o preço são maiores, o que acaba por impedir muitas mulheres, sobretudo as de baixa renda, de fazerem o controlo regular.

Em suma, de acordo com Manuel Inocêncio Sousa, persistem ainda grandes preocupações e constrangimentos nos serviços de Saúde em São Vicente. No entanto, o deputado mostra-se agradado com o facto da ilha continuar livre das doenças transmitidas por mosquitos como a dengue, ika, paludismo, de entre outros.

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