Parabéns Mindelinsite: Um ano de vida, mas sem bolo nem vela

257

Não houve bolo nem vela no primeiro aniversário do Mindelinsite, mas acordamos com a alegria de uma criança ansiosa por abrir a sua prenda de anos. Pudera, aguentar 365 dias foi uma luta renhida para um projecto tão arrojado e desprovido de recursos como é este jornal electrónico. Sabíamos desde o início o quanto teríamos de suar para manter esta plataforma informativa diariamente activa e actualizada, ainda mais porque sequer a empresa dispunha de um único computador próprio.

Porém, o nosso atrevimento foi maior que tudo. Foi movido por um sentido de aventura, é óbvio, mas assente numa crença enraizada na capacidade de uma equipa técnica composta por jornalistas experientes e que gozam de alguma credibilidade em Cabo Verde.

Apostar num órgão “regional”, com o seu foco em S. Vicente, foi visto por muitos como um tiro no pé, à partida. As razões eram muitas e até plausíveis: primeiro, o mercado publicitário exíguo de uma ilha já por si debilitada economicamente; segundo, garantir notícias “frescas” todos os dias numa cidade com “poucos” acontecimentos; terceiro, o risco de sermos vistos como um jornal “bairrista”, logo descartados pelas empresas públicas e privadas sediadas na Capital… Enfim, um leque de factores que não deixam de ser reais.

Ousamos mesmo assim, cientes dos riscos, o maior de todos o facto de nenhum de nós ter a mínima experiência de gestão empresarial. Sim, de meros jornalistas “saltamos” para “gestores”, assim, da noite para o dia. E passamos a aprender muitas coisas na “marra”, umas vezes por erros nossos, outras vezes tirando lições do comportamento de outrem. Tudo, no entanto, tem sido encarado como experiência ou não fosse a vida uma escola permanente.

Mindelinsite.cv ousou abordar o nacional através do local. Quisemos ser um projecto editorial contracorrente, mostrar que há um campo ainda vasto por explorar em cada pedaço do território nacional. Neste caso, o nosso foco foi projectar S. Vicente no mundo global, relatando os seus aspectos positivos e negativos. Por causa da nossa irreverência ganhamos adeptos e “inimigos”. Merecemos elogios e fomos também alvos de ameaças e de discriminação. Nada que não estivessmos preparados. A partir do momento em que içamos como bandeira o JORNALISMO sabíamos que iríamos incomodar. E, numa sociedade tão pequena como a nossa, as coisas ganham uma carga mais pesada.

Um dos problemas reinantes em S. Vicente, mas acreditamos que será em todo este Cabo Verde, é a tendência de muita gente em “pessoalizar” a notícia. Trocado por miúdos: há uma grande dificuldade em se separar o profissional da pessoa. Ataca-se o jornalista não por ter dito a verdade, mas porque teve o “atrevimento” de revelar algo que não convinha aos envolvidos. Torna-se por isso um alvo a abater. Ossos do ofício!

A 25 de Fevereiro de 2017, em pleno ambiente festivo do Carnaval, nascia a página www.mindelinsite.cv. Muita gente deu crédito ao projecto, mesmo antes de mostrar o seu potencial. Instituições como a Alliance Française do Mindelo, Enapor, a firma Bento Forrador, FIC, as empresas Silmac, Lusonave, Sals, Municípia, Armando Cunha, a seguradora Impar, o escritório de contabilidade CM Outsourcing, o software de facturação Primavera, o hotel Kyras e residencial Terra Lodge, o restaurante Palm estiveram na linha da frente. Houve também individualidades que deram o seu contributo e credibilizaram este projecto editorial, tais como os cronistas Rocca Vera Cruz, Nelson Faria, Sidneia Newton, Xazé Novais, José Fortes, os mais presentes e constantes nesta página. Muitas outras colaborações concretas vieram de empresas e pessoas individuais, como Rui Novais, Elisa Soares, o emigrante e músico Albertino “Tino” Semedo, o fotógrafo Nelson Nunes e outras tantas que nos deram apoio moral ou se transformaram em importantes fontes de informação deste jornal.

Hoje, um ano depois, mindelinsite.cv não teve direito a bolo nem vela, mas o que importa mesmo é saber que, com uma redacção de apenas 3 jornalistas, publicou 1.831 artigos e já alcançou 1 milhão e 700 mil visualizações. Embora sendo um pequeno projecto, perto de outros “gigantes” da nossa comunicação social, passou a ser uma página seguida por milhares de cabo-verdianos espalhados pelo arquipélago, mas residentes nos Estados Unidos, Portugal, França, Espanha, Islãndia, China, Brasil e Rússia. Afinal das contas, no mundo da internet, tudo é global, mesmo o mais ínfimo jornal “local”.

Convictos da importância que este online representa para o panorama actual da comunicação social cabo-verdiana e o reforço da nossa Democracia, estamos dispostos a continuar a lutar pela sobrevivência deste projecto, com o apoio de todos aqueles que amam e respeitam a liberdade de imprensa.

A redacção

(Visited 317 times, 1 visits today)

2 COMENTÁRIOS

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here