Popular e Populismo  

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Por Nelson Faria

Diz o senso comum e o dicionário que é popular aquele que tem notoriedade, que é aceite com naturalidade pelo carisma, empatia e simpatia, que agrega e é reconhecido como representante de um ideal do povo, ao passo que o vulgo populismo, candidata à palavra do ano, é aquele que tenta tirar proveito dos anseios, expectativas e necessidades do povo, tentando adquirir um carisma e notoriedade que não possui, inflamando retórica descontextualizada ou irrealista, meramente para parecer e ter poder.

Bom exemplo para estes conceitos é a situação actual da França. O Presidente Macron, que já foi mais popular, perde terreno para o populismo por causa de uma grande manifestação popular. Elucidativo de que a popularidade é volátil a… vontade popular. Muitas vezes, o povo sentindo-se enganado recorre ao que aparece com mais força, no caso, o populismo da extrema-direita francesa. Estes cenários levam a que as lideranças que já não são populares apelidem de populistas os que são e os que não são. Basta serem contra o poder vigente e medidas que se quer impor sem considerar a vontade popular. De entre os manifestantes estão, com certeza, os populares com reivindicações justas e muitos extremistas que pretendem outros proveitos.

Num mundo em que cada vez mais o populismo toma conta através das máquinas corporativas para chegar ou perpetuar no poder, mais os populares, que não se alinham a corrente, são apelidados por populistas por defenderem a vontade popular, o que agrega e faz um todo.

De forma alguma defendo extremos praticados na França nas manifestações populares dos coletes amarelos. Vandalismo e violência não devem ser aceites como forma de reivindicação. Os extremos são irracionais e não procuram o bem comum. Olham cegamente para o umbigo, a minha parte, o meu eu, o meu ego e nunca para um todo. Quando assim é as consequências para parte ou para o todo são imprevisíveis e nunca vantajosos. Ser-se democrata implica necessariamente entender o outro, o contraditório, entender as vontades populares, ter factos ou argumentos para, também, contrariar.

No mês da Morna convém lembrar, como canta a Lura,  que“ na vida tem hora pá tudo, ma cá tem hora c’no ta tem tudo na vida”. Em SãoVicente, infelizmente, o sentimento de que nem hora, nem tudo. Não temos tudo e cada vez mais nem um bocado de nada. Já nem voar para o mundo em condições similares a outras partes do país podemos por falta de aviões. O que leva a marcação de uma grande manifestação popular para o dia 16 de Dezembro junto ao aeroporto. Repito, manifestação popular, longe de comparar ou equivaler a manifestação francesa que marca a actualidade.

Por esta iniciativa, o meu reconhecimento ao popular cidadão Salvador Mascarenhas e ao Sokols 2017 pela acção que visa meramente demonstrar a necessidade reivindicada para o benefício do todo. Não somente de São Vicente, mas sim de toda a zona nordeste do país em pelo menos três dimensões: social, cultural e económica. Que mantenha a postura cívica actuante, popular, e não embale no populismo das campanhas eleitorais.

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