Porto de águas profundas chumbado pelo Governo

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O Porto de Águas Profundas, projecto apresentado pela Enapor como uma das futuras âncoras da economia marítima e um dos pilares do “Cluster do Mar”, foi chumbado pelo Governo. A notícia foi avançada à imprensa pelo próprio ministro da Economia, José Gonçalves, que se mostra contra a localização dessa infraestrutura na baia do Porto Grande, mais precisamente nas proximidades da praia do Lazareto. Conforme o governante, a bacia protegida pelo Monte Cara não é o sítio adequado para albergar um segundo cais de grande envergadura, capacitado para receber porta-contentores.

“Um outro local, sim, e é nesse sentido que vamos tentar materializar a ideia”, realçou o governante, que parece ter a mesma opinião que a defendida nos últimos anos pelo autarca mindelense Augusto Neves. Nalgumas ocasiões, o Presidente da Câmara de S. Vicente deixou claro que era contra a construção do referido porto no interior da baía do Porto Grande, que, na sua opinião, já está superlotada, além de que a sua presença iria afectar a beleza dessa orla marítima. Para Neves, o sítio mais adequado seria a praia dos Flamengos, situada a Sul da ilha de S. Vicente.

Com a sua posição, Neves abriu uma frente de batalha com o Governo do PAICV, que chegou a rebater essa ideia, com o argumento de que essa localização iria inviabilizar esse avultado investimento. É que essa deslocalização iria implicar a elaboração de novos estudos técnicos e financeiros e ainda a construção de uma via de ligação da praia dos Flamengos à cidade. Mais custos que o Executivo de José Maria Neves não estava disposta a arcar. “A localização já está pré-definida, estamos a pensar num porto que poderá movimentar numa primeira fase cerca de um milhão e meio de contentores, mas que poderá ir crescendo e ganhando espaço tanto no mar como na terra”, chegou a afirmar o ex-Primeiro-ministro na sequência de uma visita efectuada em 2013 à República Popular da China, à procura de parcerias para o ambicioso projecto.

Na altura foi aventada a possibilidade da construção do porto ficar nas mãos da empresa China Road & Bridge Corporation, que deveria ainda edificar o Terminal de Cruzeiros do Porto Grande. O anúncio foi feito pela própria sociedade chinesa, que chegou ainda a apresentar os planos de reestruturação do porto de S. Vicente, mas sem avançar datas e os custos associados a esse empreendimento. Porém, pelas estimativas da Enapor, o porto de águas profundas iria possibilitar a criação de 300 a 500 empregos directos e gerar receitas anuais entre 14,2 e 21,4 milhões de euros até 2023. Além disso, o funcionamento desse cais de contentores iria diminuir os custos de importação de produtos e gerar poupanças anuais consideráveis.

Com a entrada em funções do novo Executivo fica claro que a infraestrutura não será construída, pelo menos no local inicialmente idealizado. Se será instalada noutro ponto da ilha, por exemplo na praia dos Flamengos, a informação ainda não saiu dos gabinetes. Mas não deixa de ser curioso o facto da declaração do ministro da Economia coincidir com a posição do edil da ilha do Porto Grande, quando diz claramente que discorda da implementação do projecto pelo menos no interior da baía do Mindelo.

Quanto ao Terminal de Cruzeiros, José Gonçalves confirmou aquilo que Mindelinsite avançou em primeira-mão: a documentação exigida pelo programa Orio para assegurar o financiamento a fundo perdido de 9,8 milhões de dólares já foi encaminhada. Dado esse passo, segundo Gonçalves, a construção desse cais destinado a barcos-turistas será “para breve”.

 

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