PR destaca papel de Manuel Figueira, Luísa Queirós e Bela Duarte na recuperação de técnicas ancestrais do artesanato

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O Presidente da República condecorou, esta terça-feira, 15, no Mindelo, os artistas plásticos Manuel Figueira, Luísa Queirós (a título póstumo), e Bela Duarte com a Primeira Classe da Medalha de Mérito, “pelos relevantes serviços prestados enquanto fundadores da Cooperativa Resistência, e na recolha, produção e divulgação do artesanato cabo-verdiano”.  Para Jorge Carlos Fonseca, essas personalidades da cultura cabo-verdiana tiveram um papel fundamental na recuperação das técnicas ancestrais, transmissão de conhecimentos e na divulgação da nossa arte popular em forma de artesanato.

“Souberam ler a oportunidade que o seu tempo e a história lhes proporcionava e do trabalho proveitosos que poderiam fazer um universo tão nosso, tão rico, que trazia a marca das nossas gentes , o traço do quotidiano”  disse Fonseca, lembrando que esses três artesãos apoiados por Alexandrina Freitas, Mercedes Leite e Clementina Chantre, deram vida a Cooperativa Resistência, fundamental para o trabalho de pesquisa, recolha, levantamento e recuperação de técnicas existentes pelas ilhas e formação de artesãos. Para além disso, acrescentou, a Cooperativa Resistência foi responsável pela introdução de novas técnicas de arte popular como o batik e a tapeçaria no universo do artesanato cabo-verdiano.

Por isso, segundo Jorge Carlos Fonseca, o momento de homenagem à essas figuras  serve também para pensar no potencial e na importância do artesanato e da arte  popular na pequena economia das regiões e das ilhas. Por outro lado, e na linha do trabalho realizado pela Cooperativa Resistência nos finais dos anos 70, ajunta Fonseca, é necessário ver também o artesanato cabo-verdiano no contexto da pequena economia local, sobretudo  enquanto factor de identidade cultural e elemento de atracção por parte de quem nos visita.

Não podemos ignorar que todo o conhecimento da cultura local reforça a valorização dessa especificidade e do desenvolvimento  da região  em questão. E aqui estamos a falar do indivíduo, do homem  e da mulher  como possuidor e repertório de uma tradição  e de um contexto histórico  que não pode desaparecer , sob pena  de ficarmos mias pobres”, acredita JCF para quem o imaginário  e simbolismo  do artesanato representa-nos  a todos porque são espelhos da herança dos nossos antepassados.

António “Patcha” Duarte, filho de Bela Duarte que falou em nome dos homenageados,  considerou que o gesto do PR reconhece a militância destas três personalidades que, durante vários anos, mostraram a abnegação em prol da cultura  dedicando-se à pesquisa  com viagens a Santo Antão e ao interior de Santiago à procura de técnicas ancestrais.

Carina David

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