Fonseca&Santos responde aos críticos: Praça de Dotora será uma galeria que vai “valorizar a zona”

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A colina onde fica a praça Dotora Maria Francisca será transformada numa galeria com espaços comerciais, sala de conferências, gelataria e lojas de souvenir. A zona superior, onde actualmente é a chamada praça dos namorados, vai continuar a ser um espaço público, agora com mais comodidade. Esta informação foi avançada ao Mindelinsite pelo empresário Manuel Fonseca, em resposta ao rosário de críticas e lamentos dos mindelenses, que recorreram às redes sociais para mostrar o seu descontentamento desde que essa área foi fechada para o arranque das obras. O Movimento Sokols e o Provedor do Mindelo destacam-se como as vozes que mais questionam esse empreendimento que, dizem, vai provocar a morte de mais um ponto histórico na cidade do Mindelo, isso quando a Câmara de S. Vicente já havia falado na sua recuperação.

Segundo este empresário, o projecto que vai ser implementado na Praça de Dotora prevê a construção de uma galeria e não de um centro comercial. E mais: Manuel Fonseca afirma que a ideia surgiu no ano 2000 e só não foi concretizada antes porque acabou atropelada pela crise. “A nossa empresa assinou com o então presidente Onésimo Silveira um contrato, em Agosto de 2000, para cedência do terreno. Em 2005, o projecto foi aprovado. Não avançamos porque, entretanto, chegou a crise e os negócios em São Vicente sofreram um abrandamento”, diz Manuel Fonseca, realçando que, enquanto empresário, foi obrigado a repensar o investimento porquanto o mercado não estava a dar garantias. “Mesmo agora é um risco que estamos a correr”.

O gestor da empresa Fonseca&Santos deixa claro que, ao contrário daquilo que as pessoas têm estado a especular, não pretende construir um edifício clássico com vários pisos de concreto. “A Praça de Dotora fica numa pequena elevação, que vamos desbastar. É um espaço rectangular, com cerca de mil metros de cumprimento por sete de largura, nas extremidades, e 10 no meio. Na parte inferior onde actualmente é a rocha, vamos construir espaços comerciais e uma sala de conferência. Na extremidade que dá para Avenida Marginal, ficará uma gelataria e, no local onde está a praça, vamos erguer uma esplanada”, descreve.

Investimento de qualidade

Para este empresário, São Vicente precisa de investimentos de qualidade, daí a opção por uma Galeria que vai conferir mais-valia à zona. “Estamos no século 21 e as coisas não podem continuar como estavam. Vamos continuar a ter um espaço público. Na parte de baixo vamos esburacar a rocha e construir pequenas galerias, onde os visitantes e turistas podem aproveitar para o lazer, comprar souvenirs ou simplesmente apreciar a vista sobre a Baía do Porto Grande. Temos um acordo com a empresa que está a construir o Hotel Avenida para também requalificar o jardim, que fica em frente à nossa gelataria.”

Todo o projecto, incluindo os equipamentos, está orçado em pouco mais de 80 mil contos. “Não se trata de um grande investimento, mas de um projecto com qualidade. Acredito que toda esta especulação é porque as pessoas não sabem o que pretendemos fazer. Acredito que se tivessem dirigido à Câmara Municipal para consultar o projecto, não haveria manifestações contrárias”, entende Fonseca.

O receio de que o projecto poderá acabar com um dos poucos espaços de parqueamento existentes na zona é também infundado, segundo Manuel Fonseca. Este garante que as intervenções vão ser feitas no sentido de melhorar o parque existente. “Sabemos que a zona é residencial e possui alguns empreendimentos turísticos, para além do sindicato, daí termos mantido o parque de estacionamento no projecto. Repito, a nossa intervenção vai ser no sentido da valorização da praça, que vai ser substituída por uma esplanada.”

Quanto ao terreno, Manuel Spencer explica que o acordo de cedência tem uma vigência de 25 anos. Com base nisso, desde 2000 que a empresa Fonseca&Santos paga uma renda mensal de 50 mil escudos à autarquia. Decorridos os 25 anos acordados – ou seja a partir de 2025 -, a empresa tem a opção de compra da praça por uma quantia a ser afixada pelo Poder Local. “A cedência é temporária, mas temos preferência caso, findo o prazo acordado, optarmos pela compra. O preço será determinado por metro quadrado”, frisa.

Morte da Praça Dotora

O Movimento Sokols foi a primeira voz a reagir ao cerco e colocação da placa a anunciar o inicio das obras na Praça de Dotora. Numa publicação na sua página, este escreve que estava decidida a morte da Praça Dra Maria Francisca, a primeira médica cabo-verdiana e das ex-colónias ultramarinas, a favor de um Centro Comercial. “Recentemente foi publicado uma notícia em que a edilidade, juntamente com o proprietário do terreno, tinham decidido recuperar este espaço verde de lazer urbano e rejubilamos por isso. Hoje assistimos a um volte-face negro, o que confirma o desnorte da política urbanística para a cidade”, lê-se.

O Sokols vai ainda mais longe ao dizer que São Vicente perde uma praça icónica no meio do jogo de interesses económicos a que está refém há muito e antevê os argumentos para justificar a obra. “Não temos dúvidas de que vai aparecer o discurso demagógico de que mais vale um centro comercial que vai dar emprego do que uma praça para a cidade. O que não notam é que, destruindo os ex-consulados, praças e espaços verdes a cidade perde a sua essência, a sua originalidade e atração. E uma cidade sem isso não tem interesse. E morre, como Mindelo está a morrer, em conivência com a CMSV. E também com a nossa cumplicidade por ficarmos calados. Mindelo não merece tamanha afronta!”

Com o mesmo tom crítico, o Provedor do Mindelo divulga uma nota intitulada “Ser fossilizada pela voz insensa de uns poucos”, onde diz que há três meses leu num jornal que a Câmara ia restaurar a Praça dos Namorados, ainda que este fosse um espaço privado, e deu-lhe os parabéns por isso. Agora, estupefacto, vê confirmada a venda deste espaço público, de pertença do povo desta ilha, onde, acentua o Provedor, irá nascer um centro comercial.

Constânça de Pina

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17 COMENTÁRIOS

  1. … mil metros de cumprimento? 😉

    Acho que é uma boa ideia, hoje o lugar é uma desgraça. Eu pergunto aos que choram: quando é que foi a ultima vez que vocês vêm sentar na praça? Vocês querem preservar que vocês nem utilizam. é uma vergonha para a cidade,

  2. Sokols é um.grupo de pessoas que nunca fizeram nada para eles mesmos e pricipalmente para s vicente.

    Reclama porque s vicente está parado mas quando aparece alguem ausado, investindo o seu capital, as vezes pondo em risco o mesmo de repente aparece um.grupo de gatos pintados a protestar

    Tenho nojo desses malandros qie não deixa s Vicente desenvolver.

    Nao tenho gosto fe escrever mais or isso vou ficar por aqui.

    Força la o empresário que nem.sequer me conhece.

  3. De uma coisa tenho a certeza. Se a Sociedade Civil não imprimir uma outra dinâmica no processo do desenvolvimento desta Cidade, os atropelos do poder vão ser cada vez maiores. Não compreendo a quase ausência da Sociedade Civil no debate dos problemas que lhe dizem respeito.
    Com o devido respeito pela opinião contrária, sou literalmente contra esse projeto, pelas razões que vou expandir mais adiante. Daria todo o meu apoio a intervenção nessa praça, se em vez de um Centro Comercial, fosse um parque de estacionamento, dimensionado para servir todo aquele espaço que libertasse as ruas do estacionamento de viaturas. As ruas são para circular e não para estacionar viaturas. Desde 2012 venho chamando à atenção do Poder Local e da Sociedade Civil, em geral, para a necessidade de se equacionar a problemática da circulação e do estacionamento de viaturas nesta Cidade, aliás dentro da política de Cidades Seguras, Saudáveis, Sustentáveis e Amigas das pessoas.
    Circular na rua do INPS ou na rua da Fragata é cada mais difícil porque estão transformadas em parques de estacionamento com riscos elevados de acidentes para o peão. Não se pode ignorar que o número de viaturas aumenta dia a dia. Os oitenta mil contos que vão ser investidos no Centro Comercial podiam ser investidos num parque de estacionamento pago, com uma concessão que permitisse ao empresário recuperar o seu capital e os lucros.
    Sou um grande defensor da iniciativa privada e tenho um grande respeito pelos empresários porque eles constituem a principal força dinamizadora do desenvolvimento do país pela sua capacidade de criar emprego, riqueza e bem – estar para as populações e por isso, a iniciativa privada deve merecer todo o apoio do Estado e o respeito da sociedade. Mas os interesses dos empresários nunca devem sobrepor-se aos interesses da coletividade como, normalmente, vem acontecendo nesta Cidade do Mindelo.
    Posto isso, voltando ao projeto de requalificação da Praça Drª Francisca, não apoio esse projeto porque ele está deslocalizado em relação às necessidades do desenvolvimento desta Cidade.
    Embora muito importante, não vou focar a minha intervenção, na importância do espaço como património histórico, força cultural de um povo e de pertença da nação cabo-verdiana; estamos a destruir laços de identidade; estamos a colocar nas mãos de privados espaços que deviam ser cada vez mais pertença desta Cidade.
    Naturalmente que perante um empresário que queira investir nesta Cidade, a Câmara deve dar todo o apoio. Infelizmente, estamos perante um Poder Local que nunca teve uma visão sustentável do desenvolvimento da Cidade do Mindelo que vai quase sempre a reboque de determinados interesses económicos e eleitoralistas que nunca teve capacidade de aproveitar da melhor forma as oportunidades de investimento que surgem.
    Para promover o desenvolvimento e a valorização dessa zona, não é de um Centro Comercial que se precisa mas sim, de um bom espaço de estacionamento de viaturas naquele local.
    Trata-se de uma zona económica das mais importantes de São Vicente. Zona de vários Restaurantes, Residenciais, Bares, Boîte, um núcleo importante de moradores e que acolhe os Serviços do Cartório Notarial, Sindicatos, o Hotel que está a nascer no Ex-Consulado Inglês. Mais abaixo, temos o Uni-Mindelo, o INPS e a Câmara do Comercio de Barlavento. E há ainda todo um largo espaço onde irão surgir outros empreendimentos. Todas essas infraestruturas precisam de um parque de estacionamento, e o único espaço que vejo para esse fim é justamente esse espaço onde se pretende construir o Centro Comercial. O próprio Centro Comercial pressupõe um espaço de movimentação de pessoas e de viaturas. Onde arrumar todo esse movimento de viaturas e de pessoas?
    Não tenho dúvidas que o projeto em si vai desvalorizar a zona porque vai comer o parque de estacionamento que é uma infraestrutura importante para a sua valorização. O Centro Comercial vai estrangular ainda mais o movimento de pessoas e de viatura no espaço, vai ser um cancro urbanístico. Já há problemas de circulação de pessoas e viaturas entre o Uni-Mindelo e a praça Drª Maria Francisca por falta de passeios para as pessoas circularem com segurança , com o peão permanentemente em risco de ser atropelado, problemas que deviam constituir uma preocupação da Câmara, sinceramente não compreendo a política do nosso Poder Local nem a lógica de determinados investimentos. Mas, de uma coisa tenho a certeza, se a Sociedade Civil não imprimir uma outra logica de desenvolvimento desta Cidade, os atropelos do Poder vão ser cada vez pior.
    São Vicente, 13 de junho de 2012

    • Muito pertinente as preocupações aqui levantadas de forma desapaixonada. Como disse e bem a Sociedade Mindelense precisa ser proativa e não reativa, participando de forma enérgica nos rumos desta ilha.
      Abr

      • É verdade.Realmente tenho estado a criticar os estacionamentos das viaturas nesses locais referidos, e de várias outras artérias da cidade, dificultando a livre circulação não de pessoas mas sim de veículos, porque os peões devem circular nos passeios. As faixas de rodagem estão cada vez mais estreitas, mas pergunto, caso for construido um parque de estacionamento quantas viaturas poderão lá estacionar? Essa quantidade continuaria a fazer o efeito desejado nos próximos 10 ou 20 anos?
        Também tenho estado a criticar aquele espaço ali abandonado há vários anos, caíndo aos pedaços, proporcionando um mau aspecto da nobre área, que carecia de uma manutenção para valorização da mesma e da cidade do Mindelo e agora aparece um empresário disposto a investir para desafogar Mindelo desse marasmo, e venham vocês com essa ladaínha?Haja paciencia e criam juízo se faz favor.

  4. S.Vicente precisa de investimento como esse e não dos sokols que querem ver a ilha do monte cara sempre atrasado com as istorias do século passado.

  5. Sokols, cada vez que aparece um projecto de investimento eles são contra. Afinal o que é que esses rapazes pensam, será que não querem investimento na illha , ou será que tem outras motivações por detrás.

  6. Parabéns aos promotores desse projecto. São Vicente Precisa de investimentos, que mude o aspecto “velho” de alguns edifícios na cidade, bem como que crie mais postos de trabalhos.

  7. As pessoas reclamam de tudo. Reclamam que não há emprego mas se criar condições para ter mais postos de trabalho contestam, Se está a investir para ter uma cidade mais atrativa reclamam de que tudo o que é do povo está ser vendido, se não fizer nada para requalificação dizem que é um estado de abandono, etc, etc. Mas acho que quanto ao parque de estacionamento, logo ali bem pertinho ao lado da avenida marginal há um parque que tem condições a vontade para essa zona. Agora dizer que neste local mais um parque de estacionamento resolveria a situação de outros locais por exemplo rua da fragata, acho que não. Foi só a minha opinião, mas respeito posições contrárias

  8. Devido a morfologia do terreno tinha formas de aproveitar do espaço, sem tirar a historia e a anterior função. Mas mesmo a partir dos desenhos e’ clara a baixa qualidade arquitectonica, e social do projecto, isto reflete-se na insatisfação do povo atento.
    O problema não e’ impedir os investimentos na ilha, mas faze-los de uma forma em que a ilha seja mais rica e mais valiosa, apostando em projectos de qualidade e com visão, mais ampla.

  9. Eu creio que a ideia de avançar com esta obra é fascinante e extamente oque precisamos. Agora podiam fazer as duas coisas salvar a praça/uma parte da praça e o espaço comercial.

  10. A reabilitação da praça deveria ser equacionada em continuidadae com a praçeta Maestro Alves Reis e com o espaço vazio adjacente à praceta. o projeto a desenvolver deveria promover usos diversificados por forma a permitir a sua apropriação por públicos diferenciados. a comunidade de uma forma geral e em especial a académica (unimindelo,unipiaget) e local enquanto potenciais utilizadores do espaço público deveriam ser chamados a participar com sugestões sobre o espaço. A galeria comercial para venda de souvenirs a turistas poderia ser construída noutro local.

  11. Esse hábito inferior a que nos fomos habituados em aceitar tudo sem opinar, sem discutir, leva a que mentes mais fracas que estão habituadas a que os outros pensem por elas, a se encostarem ao status quo falando em defesa desses, mesmo que sejam explorados e vilipendiados, sem recolherem uma migalha desses manhentos que através de esquemas de compadrio e corrupção manifesta vão sugando este país com promessas de desenvolvimento e postos de trabalho , mesmo se necessário “prostituir ” a cidade e soterrar a nossa história curta, mas amada. E isso ao mesmo tempo que nos esvazia de raízes palpáveis e nos tira a dignidade e nos torna gente sem alma e sem valores. Lutarei sempre contra isso porque tenho a certeza que esses não são os valores que nos vão levar a um pais de desenvolvimento e harmonioso com um índice de felicidade geral elevado; o que se passa agora é o caminho típico dos países do terceiro mundo em que alguns dominam tudo e todos seja através dos empregos sub pagos, seja através do medo. Felizmente que há sempre alguém que os tem no sítio e resiste e diz não, mesmo na mais escura noite da ignorância existencial. Voltarei.

  12. Acho vergonhoso o que se passa em São Vicente e um verdadeiro atentado à história e à memória. Já nem falo nas histórias da carochinha que por aqui são contadas cientes que ainda não se tem uma comunicação social que faça o seu papel e investigue.Ora mal informados, ora desinformados, vamos todos fazendo transfusão de sangue a toda imbecilidade,ganância, falta de transparência e de ética. Falta tudo: amor à ilha, verdade e competência. Srs .jornalistas façam o vosso trabalho merecemos saber o que se passa.

  13. Não foi Maurino Delgado que mandou destruir algumas coisas do patrimonio em Santo Antão? Os caboverdianos tem memoria curta…

  14. Aquela praça, só se via com gente na passagem de ano das 23:45 às 00:20. Era um mono completo e o muro de suporte de terras estava a encurvar, constituindo um risco para peões e viaturas.

    Só os Velhos do Mindelo podem estar contra este projecto.

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