Ramos Castellano Arquitetos desassocia-se das obras do Pic-nic na Praça Nova

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O gabinete de arquitetura Ramos Castellano, que assina obras emblemáticas e ecologicamente sustentáveis em São Vicente, caso do Aquiles Hotel em São Pedro e Terra Lodge Hotel na cidade, nega qualquer contacto ou conversas com a Câmara de São Vicente sobre a reconstrução do Pic-nic da Praça Nova. Este esclarecimento deste casal de arquitetos, Eloisa Ramos e Moreno Castellano, vem na sequencia da associação feita por Augusto Neves na última sessão da Assembleia Municipal, que garantiu que estão a trabalhar com o projetista do novo Centro Nacional de Artesanato e Design (CNAD).

Ao Mindelinsite, Moreno esclareceu que o gabinete de arquitetura desconhece o projecto de reconstrução do Pic-nic e reabilitação da Praça Nova. Este arquiteto lembra que, em tempos idos, o seu escritório chegou a elaborar um projecto para o espaço, mas que este não tinha nada a ver com o que está a ser feito. “Queremos deixar claro que nunca fomos contactados pela Câmara para falar das obras em curso. Acredito que, como os políticos falam muito, o presidente Augusto Neves pode ter-se enganado. Mas conhecimento que o edil falou com o director do centro e com o empreiteiro. Por isso, acredito que possa ter havido um erro de expressão”, constata.

Sobre este particular, este arquiteto explica que projectista é quem elabora um projecto de uma obra e não quem executa. No caso, o novo CNAD, que é um projecto considerado inovador, é da autoria da Ramos Castellano. “Queremos apenas que seja reposta a verdade porque não gostaríamos de ser utilizados para fins políticos. Somos arquitetos e não temos partidos políticos, ainda que aquilo que fazemos tenha uma acção politica. Isto porque todas as nossas obras têm como base o ser humano e o seu bem-estar. Trabalhamos para as pessoas e para a sociedade”, reforça Moreno.

Desenho integrado na Praça Nova

Este revela ainda que, ao confrontar o empreiteiro que está a executar as obras do CNAD, este assume que, de facto, a CMSV quer juntar os dois projectos, o que considera normal. Mas, enquanto projectista, nunca foi abordado. Por isso, estranhou a afirmação do autarca mindelense. Por outro lado, admite que não querem estar associados a uma obra em que não participam. “Repito, nunca fomos abordados pelo presidente, nem antes e nem depois de fazer tal afirmação. Por outro lado, da forma como o Pic-Nic está a ser executado não harmoniza, falando em termos arquitetónico. Se fosse um desenho do nosso gabinete, por exemplo, os WC teriam um outro desenho, totalmente diferente e mais integrado na Praça Nova”, acrescenta.

Já Eloisa Ramos garante que, desde as declarações do presidente da CMSV, o seu gabinete tem sido procurado por pessoas para saber se estão associados ao projecto, o que prejudica a sua imagem. “Não queremos ser prejudicados por uma questão politicas ou devido a uma operação de marketing. Penso que foi um golpe de marketing do presidente nos associar ao projecto. Mesmo assim, estamos abertos para conversar. Sabem onde nos encontrar. Acredito que se tenha enganado na expressão. Se não foi engano, queremos desassociar o nosso escritório desta intervenção porque não estamos.”

Após esta entrevista com Ramos Castellano, tentamos uma reacção junto da CMSV, através da sua assessoria, mas não tivemos qualquer feedback. Recorda-se que, na sua intervenção na AM, Augusto Neves afirmou que, logo que foi anunciado um novo projecto para o CNAD, a Câmara equacionou a requalificação do Pic-Nic e de toda a Praça Nova para que as duas obras sejam inauguradas juntas. “É todo um processo feito com cabeça, tronco e membros. Temos gente lá todos os dias a trabalhar. Na parte de baixo há um grande sanitário, que está a ser totalmente remodelado. Vamos ter um Pic-Nic a altura de São Vicente. Estamos a trabalhar em conjunto com o projectista do CNAD e a empresa que está lá a trabalhar.”

Com esta obra, a CMSV pretende devolver a esplanada Pic-Nic à Praça Nova e reabilitar o repuxo do tanque, uma reivindicação antiga dos mindelenses. Vai ainda recuperar todo o piso e introduzir outras melhorias. Tudo isso para conferir uma nova imagem á esta praça no coração do Mindelo, aproveitando a dinâmica das obras no CNAD e a reabilitação do Eden Park.

Constânça de Pina

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2 COMENTÁRIOS

  1. As coisas não devem ser feitas só para se dizer que foram feitas.
    Devem ser feitas com a qualidade e o enquadramento que cada espaço exige.
    Para isso, são necessários os arquitectos da maior qualidade e competência.
    Nessa exigência da qualidade, não se pode contar unicamente com a competência técnica (diploma de arquitecto).
    É necessário também, a sensibilidade, o bom gosto e a genuina inspiração (que é um dom).
    E parece-me que é neste aspecto (do conhecimento do que é “bom gosto” e do que é “inspiração”) que o presidente da Câmara denota muitas limitações.
    Por exemplo, eu não tenho conhecimentos de arquitectura mas, se fosse eu o promotor da obra do Pic-Nic (isto é, a camara municipal), seguramente teria de ser muito mais exigente quanto à sua qualidade, beleza e provavelmente, leveza, adaptadas ao seu enquadramento.
    Vêja-se por exemplo, o miradouro do monte gude.
    Poderá haver coisa com mais falta de bom gosto e penalizadora para a cidade do que aquela??
    E é por isso que já ficamos com a preocupação antecipada, quanto ao que irá ser o novo piso da praça nova, quanto a como irá ficar o tanque, etc, etc.
    Não podemos continuar a ser presentiados só com o remediado.
    Temos uma cidade bonita, somos orgulhosos dela e queremos continuar a sentir assim sempre.

  2. uma katastrófe aquela arquitetura de blocos,, para verem os nossos arquitetos em Fantasia ( NADA ) TODOS QUADRADOS NA CABESA:: Aquilo tem que ser feito tudo,, de pura MAdeira..o resto é MER…

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