Relatório de Desenvolvimento Humano fala em “nova geração” de desigualdades no mundo

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O Escritório do PNUD – Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em Cabo Verde -apresenta hoje à tarde na cidade da Praia, em conferência de imprensa, as principais análises e propostas reflectidas no relatório de Desenvolvimento Humano 2019. Intitulado “Além do rendimento, além das médias, além de hoje: Desigualdades no desenvolvimento humano no século XXI”, o documento está a ser discutido em Bogotá, na Colômbia. 

O relatório deixa claro que, assim como a lacuna nos padrões básicos de vida está diminuindo para milhões de pessoas, a necessidade de prosperar aumentou. “Uma nova geração de desigualdades está-se desfraldando em relação à educação, tecnologia e às mudanças climáticas – duas mudanças sísmicas que, sem controlo, podem desencadear uma nova grande divergência na sociedade não vista desde a Revolução Industrial”, lê-se no documento. 

A titulo de exemplo, o documento adianta que, em países com desenvolvimento humano muito elevado, as assinaturas da internet fixa de banda larga crescem 15 vezes mais rápido e a proporção de adultos com ensino superior tem aumentado seis vezes mais depressa do que em países com baixo desenvolvimento humano. “O que costumava ser coisas boas de se ter, mas não essenciais – como ir à universidade ou acesso à banda larga -, são cada vez mais importantes para o sucesso. Só que, ao serem deixadas apenas com o básico, as pessoas sentem como se lhes tivesse sido puxado o tapete em relação ao futuro”, diz Paulo Conceição, director da equipa que elaborou o RDH.

Este analisou a desigualdade em três etapas: além do rendimento, além das media e além do hoje, para concluir que o problema não está além das soluções. O IDH 2019 e o IDH Ajustado à Desigualdade 2019 estabelecem que a distribuição desigual da educação, saúde e padrões de vida impede o progresso dos países. Por isso mesmo recomenda a adopção de políticas que consideram a renda, mas que também possam ir além. Isto tendo em conta que as desigualdades começam mesmo antes do nascimento e podem ir-se acumulando e amplificando. Neste sentido, entende que estes investimentos devem continuar ao longo da vida.

O relatório afirma ainda que a tributação não pode ser vista isoladamente, mas deve fazer parte de um sistema de politicas, incluindo gastos públicos em saúde, educação e alternativas a um estilo de vida de alto consumo. O documento faz ainda um pedido inusitado: para as pessoas olharem para além daquilo que vem na imprensa que, do seu ponto de vista, esconde o que realmente está a passar na sociedade. Isto apesar de admitir que a comunicação social pode ser útil para traçar um cenário mais amplo, lançar informações mais detalhadas tão necessárias para formular políticas de combate à desigualdade de maneira eficaz. 

Quanto à desigualdade de género, por exemplo, este revela que, com base na tendência, são necessários 202 anos para fechar a lacuna de gênero apenas no que diz respeito às oportunidades no campo económico. “Enquanto o silêncio sobre os abusos tem-se rompido, o teto para as mulheres progredirem ainda não”, pontua o relatório, realçando que esta é uma história de preconceito e retaliação. Já quanto ao “além do hoje”, admite que duas mudanças sísmicas moldarão a vida até o século 22: a primeira é a crise climática, a segunda as transformações tecnológicas.  

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