“Riola” do Carnaval

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No Carnaval não são só as preocupações com a corrida às costureiras, ou com as celulites, ou o haver ou não chuva que contam. No Carnaval, não contam só os preparativos dos andores, as melhores músicas (se há ou não “pauládia” este ano), se a crise nos deixa pagar ou não os trajes. No Carnaval não são só as curvas das rainhas das baterias que chamam a atenção, apesar de muito formosas. Não se  preocupa apenas com quantos dentes trará na boca o “Sorriso”, no seu grupo habitual “Sorriso k dente kascóte”.

No Carnaval, pelo menos em São Vicente, várias polémicas têm sido assunto de conversa. A primeira veio principalmente da nossa Capital, que se sentiu discriminada pelo Ministério da Cultura e Indústrias Criativas, que apostou mais no Carnaval de São Vicente e de São Nicolau do que no das outras ilhas. E alguns mindelenses se sentiram “vingados”, de tanto se verem do outro lado. No início, os contestatários recusaram desfilar na Cidade da Praia, depois decidiram sair, mas sem concurso. O que ficou por dizer é que os agentes carnavalescos da Capital por si só se discriminaram, pois em São Vicente os grupos reclamam sim com a falta de financiamento – já que a cada ano o orçamento fica maior -, mas dificilmente diriam que se não houvesse dinheiro não haveria desfile. O Carnaval aqui é feito sim com dinheiro, mas é preparado mais com o “amor à camisola”, com pessoas que dão de tudo noite e dia para que a festa seja maior e melhor a cada ano.

Outra polémica é a vinda do grupo brasileiro à ilha para cantar na Rua de Lisboa após o desfile. Ao que parece, se fossem os cantores cabo-verdianos convidados a actuar num palco exterior, a conversa seria outra. Tal como tem sido notícia quando Mayra Andrade, Sara Tavares ou outro renomado cantora ou cantor cabo-verdiano é convidado a actuar no exterior, inclusive no Brasil. A nossa morabeza nos ensina a dar e a receber também, por isso, no mesmo palco, é suposto recebermos os internacionais, da mesma forma que aos nacionais e transformar as conversas do Facebook e dos cafés em boa vibração. Mesmo que para provar ao grupo de samba do Brasil que São Vicente é mesmo um “Brasilim”, como disse a nosa Cise. Mas um brasilim que fala crioulo no dia-a-dia, português a trabalhar, inglês quando bebe e segredos a dormir.

Por outro lado, desde o início da semana que a Rua de Lisboa é palco dos preparativos para a festa do Rei Momo. Impressionante é que é impossível não comparar estes com os preparos do natal passado, cujas muitas reclamações se deveram ao atraso na colocação dos tais habituais enfeites e luzes da quadra natalícia. Pareceu-me que a Câmara estava a guardar e a economizar as energias para este Carnaval, já que nesta ilha só “quem” não festeja o Carnaval é o Monte Cara porque já se aposentou. Estes murmúrios só são abafados com as batucadas que tomam conta do ambiente, do povo e da ilha, pois até o enterro do Carnaval São Vicente não dorme.

Sidneia Newton

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