Rocca estreia na dramaturgia com “Crónicas do Mindelo”

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A estreia de Rocca Vera-Cruz na dramaturgia está para breve com “Crónicas do Mindelo”, que já tem lotação esgotada para os dois primeiros dias, 23 e 24 de Março. Num exclusivo ao Mindelinsite, este confessa algum nervosismo diante da responsabilidade de colocar no papel a vivência São Vicente, nesta que é a 55ª produção do Grupo de Teatro do Centro Cultural Portugues do Mindelo. Apesar disso, acredita que a sua estreia vai ser um sucesso porque é um presente para São Vicente e contou com apoios importantes. Por outro lado, o elenco que vai reproduzir o seu texto é de luxo. O próximo passo será a publicação de um livro, possivelmente ainda este ano, que está a ser aguardado com expectativa por pessoas, que sempre o incentivaram a escrever.

“É uma grande responsabilidade ter sido o escolhido para escrever a peça ‘Crónicas do Mindelo’. Apesar de sentir que vai ser um sucesso, a cada dia que passa sinto-me um pouco mais nervoso. O elenco é de luxo, o João Branco e o JotaC dispensam apresentações, enfim, tudo se combina para que a homenagem a São Vicente seja um grande presente a esta ilha”, diz Rocca Vera-Cruz, que diz esperar que o público aprecie a peça e acarinhe os actores e todos os que estiveram envolvidos. “Acredito que vai ser muito bom e que por diversas vezes o Centro Cultural do Mindelo virá abaixo com a performance dos actores”, antevê este nosso entrevistado.

O convite para esta aventura partiu do encenador João Branco, que há cerca de dois anos lançou-lhe o desafio de escrever um texto para ele encenar. Por diversos motivos, o projecto foi  adiado, até que no passado mês de Outubro decidiram finalmente avançar. “Escrevi o texto e o João aceitou, deu o seu toque na encenação e cá vamos nós. Hoje agradeço por ter negado trabalhar com outros grupos e esperado o João Branco. É um craque, esse moço”, refere, realçando que foi fácil aceitar o desafio, apesar da responsabilidade de escrever sobre Mindelo.

Carta-branca

Questionado sobre as maiores dificuldades que encontrou, no seu tom característico, Rocca diz que “John White é um homem inteligentíssimo, ele sabia que era a primeira vez que escrevia uma peça, daí ele me ter dado todo o apoio”. Para escrever o texto, segundo o cronista, Branco deu-lhe carta-branca: “sê tudo mesmo e nada de auto-censuras”, pelo que se sentiu à vontade. “Mesmo não sendo virgem a nível de influências, segui o meu caminho e, sinceramente, estou contente e espero vir a estar ainda mais com a vibração da peça pelo público”, acrescenta.

Os apontamentos de Rocca são conhecidos dos mindelenses e dos cabo-verdianos em geral, que consomem com voracidade tudo o que ele publica na sua página nas redes sociais. Aliás, há muito que pedem um livro sobre Mindelo. Ao Mindelinsite, confessa que escreve há muitos anos, inclusive tem “um monte de coisas escritas e não publicadas”. “Sempre gostei de ler e escrever. Tive grandes mestres de português, como por exemplo, as professoras Alice Matos e Graça Nemésio, e Germano Almeida e Moacyr Rodrigues, que me despertaram para a leitura e a escrita”.

Para esta peça, optou por repetir a sua fórmula de sucesso. Ou seja, foi “beber” nas suas muitas crónicas sobre Mindelo e suas gentes, embora o texto seja inédito. Por isso, diz não foi difícil fazer o encadeamento das cenas. Também contou com a preciosa ajuda da comadre Maysa Rocheteau, com quem diz ter trocado ideias. Aliás, ela também leu os textos, deu toques pessoais, introduziu expressões típicas de S. Vicente. Terminado este trabalho, o agora dramaturgo garante que, a partir de 25 de Março, vai estar concentrado no seu primeiro romance, que deverá sair em Dezembro.

João Branco: Dar mais dimensão aos textos de Rocca

Já João Branco explica que a escolha de Rocca foi pelo acompanhamento que tem feito das suas publicações no facebook. “Para mim ficaram claro dois aspectos: o potencial dos textos dele em termos de teatralidade, ou seja, a eficácia potencial que aqueles textos têm quando colocados em cena e a qualidade dos mesmos que já merecia outra ´plateia` além das redes sociais, onde tudo é muito espontâneo e dependente dos algoritmos. Já era hora de dar uma outra dimensão aos textos de Rocca”, justifica.

Este não tem dúvidas de que a junção entre o potencial de Rocca e o grupo de Teatro do  Centro Cultural Português do Mindelo vão levar ao público divertimento e emoção, sustentado em teatro de qualidade. “Porque ainda há um pouco aquela ideia errada que a comédia é um género que, sendo mais popular, não exige tanto, pode ser mais tosco ou menos exigente. Mas é ao contrário. É muito mais difícil fazer rir do que fazer chorar!”, conclui o encenador João Branco.

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