“Samba” convida Blimundo para o Carnaval: “Pulá largode” na txon d’Mindel

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O enredo que o Samba Tropical vai levar ao sambódromo do Mindelo em 2019 irá gravitar em torno do colossal Blimundo, figura central de uma lenda que narra a estória de um boi gigantesco, inteligente e amante da liberdade na majestosa ilha de Santo Antão. O segredo foi desvendado Sexta-feira à noite na apresentação pública da música e tema do desfile do próximo ano, evento que ficou marcado por uma peça teatral sobre esse animal do imaginário cabo-verdiano.

“Na verdade, a fábula de Blimundo simboliza a resiliência do povo cabo-verdiano. Era um boi descomunal que prezava a liberdade e que ninguém mandava nele, nem mesmo Rei. Mas ele acabaria por ser enganado pelo Rei, que no fundo representa o poder”, conta David Leite, presidente do Samba Tropical, grupo que decidiu mergulhar-se na essência da cultura popular cabo-verdiana, mas sem expressar isso de forma realística. Daí a aposta no conto e magia de Blimundo, cuja saga acontece na Ribeira da Torre em Santo Antão, e o envolvimento do grupo musical Cordas do Sol nesse projecto cultural. As duas entidades vão mesmo lançar uma campanha de solidariedade a partir da próxima semana para recolha de vestuários, alimentos não-perecíveis e materiais escolares e que serão entregue às famílias da Ribeira da Torre no mês de Janeiro.

O Samba Tropical vai contar a estória de Blimundo através de 16 alas e um andor gigantesco do imponente animal. As alas vão enaltecer o colorido dos vales e montanhas de Santo Antão, as meradas, os campos floridos e as rochas escarpadas por onde esse personagem vivia em plena liberdade.

“Neste primeiro bloco ilustraremos os valores culturais e morais que Blimundo encerra. A liberdade por contraste com a escravidão – triste legado dos nossos ancestrais –, a valência, o amor e a paixão, a determinação e o respeito pelos mais velhos”, explica. A segunda parte do desfile é uma ponte entre a imagem do boi refletida no povo cabo-verdiano e a história contemporânea do arquipélago; as agruras da natureza madrasta, a busca pelo sustento na emigração e o mar, enquanto fonte de riqueza.

“O desfile será suportado por uma alegoria duma majestade e sumptuosidade jamais vistas em São Vicente. Teremos um carro alegórico que irá entrar para os anais do Carnaval mindelense”, assegura o presidente do Samba Tropical. O andor, acresce-se, será construído por Eurico “Dex” Ramos, artista plástico com expressiva experiência no domínio do Carnaval. Caberá igualmente a este jovem a autoria de outras alegorias que o Samba vai levar para o sambódromo.

A revelação do enredo coincidiu com a divulgação da música do Samba, que volta a ser da autoria da dupla Jotacê e Anísio Rodrigues. Intitulado “Pulá Largod”, esse samba-enredo inspira-se no historial do Samba, mas também no conto, na letra e na própria melodia da conhecida música “Oh Blimundo”. A composição, que já se encontra descarregada na net, está a merecer vários elogios. O desfile do Samba Tropical terá mil figurantes e a expectativa da direcção é que o prometido sistema sonoro esteja disponível ao longo do circuito.

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