Samira Vera-Cruz representa Cabo Verde no concurso curtas PALOP-TL

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A realizadora cabo-verdiana Samira Vera-Cruz vai representar o país no concurso de curtas-metragens “PALOP-TL UE 25 anos” com o documentário “Hora di Bai”. O trabalho, que deve estar concluído em meados de Julho, espelha a forte herança cultural de um povo misto, encontrando paralelos entre a herança europeia e africana.

De Mindelo para o mundo, a jovem realizadora afirma que fazer cinema em Cabo Verde é uma realidade. “Não é fácil, ainda não temos a cultura do mecenato para o cinema, mas, se nos limitarmos ao sonho, nunca faremos. É preciso fazer, eu quero e faço”, sustenta. Assim, ser uma das escolhidas foi uma agradável surpresa. “Estava muito segura do meu projecto, mas ciente da qualidade dos outros concorrentes, dai que acreditava que tinha boas hipóteses de ganhar” diz a Samira Vera-Cruz, que está neste momento a trabalhar a sua primeira longa-metragem – “Sukuru” -, um thriller psicológico sobre a esquizofrenia, com estreia prevista também para este ano.

Em entrevista ao Mindelinsite, esta amante da sétima arte diz estar entusiasmada com a ideia de participar na residência artística em Maputo, principalmente pelo facto de que terá a oportunidade de conviver com os demais realizadores seleccionados e ainda com os membros do júri. “É uma oportunidade fenomenal para saber mais sobre os outros países de língua oficial portuguesa do nosso continente e de dar a conhecer Cabo Verde na vertente do Cinema. Somos reconhecidos pela música e pelo desporto (e não só), mas quero que sejamos também cada vez mais conhecidos pelo nosso cinema“, aponta a realizadora.

Segundo a nossa entrevistada, o documentário “Hora di Bai” parte de uma dialéctica fílmica que se baseia no seguinte ponto: desde que se pode falar do kriolu, do cabo-verdiano, que este é essencialmente uma mistura: o colono e o escravo, o branco e o preto, o cristão e o pagão. Na hora da despedida, essa dualidade funde a crença com a superstição de uma forma natural e fluida. Na hora da morte, a despedida é marcada por essa fusão, principalmente no interior da ilha de Santiago, onde a presença e a herança africana foi mais acentuada”, exprime Samira Vera-Cruz.

“‘Hora di Bai’ será um documentário que tenta espelhar essa forte herança cultural ainda muito presente no interior da ilha de Santiago, mas que se vai esbatendo conforme as cidades vão crescendo e se modernizando. “É a preservação da cultura e identidade comum de um povo misto encontrando paralelos entre a herança europeia e africana”, sintetiza.

Aos 26 anos, a jovem natural de São Vicente estreou no ano passado a sua primeira curta “Buska Santu”, que foi seleccionada para o “Cape Verde International Film Festival”, na Ilha do Sal e para o Plateau, “Festival Internacional de Cinema”. Formada em cinema e comunicação internacional pela Universidade Americana de Paris – França -, conta com passagem por diversas empresas como é o caso da ACI, Greenstudio, Muxima Filmes, Kriolscope. Actualmente é directora da Parallax Produções, empresa que fundou em finais do ano passado.

Restantes obras premiadas

Para o concurso, foram premiados seis realizadores – um por cada país – que vão receber um fundo para a produção do filme. Os mesmos vão participar de uma residência artística que tem lugar em Maputo, Moçambique, de 24 de Abril a 5 de Maio. Da lista dos seleccionados constam: “Percursos”, do angolano Mauro Pereira; “88 Paraísos”, do guineense Rui Manuel Costa; “Entre eu e Deus”, da moçambicana Yara Costa; “Mina Kiá”, uma ficção da santomense Kátya Aragão; “Tara Bandu”, do timorense Victor de Sousa.

O evento enquadra-se nas comemorações do 25º aniversário da cooperação dos PALOP-TL com a União Europeia.

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