Ser mindelense

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Por: Rocca Vera Cruz

É duro admitir, mas ser mindelense é falar sem medir consequências. É dizer “vem” e se assustar com o tocar da campainha.Ser mindelense é não ter hora de ir para a praia nem ter hora para sair de lá. É de repente nem aparecer. É a cultura da espontaneidade que só quem é sabe. Só quem mora aqui, entende. É mudar de opinião, mudar de atitude ao sentir vontade. Desejo, logo faço. Não quero, tudo bem.

É ser sincero ao falar e verdadeiro ao omitir. É viver sem obrigações. Ser responsável com o seu querer. Me desculpem os outros, mas ser mindelense é ser natural. É confiar nos próprios instintos. É encontrar uma celebridade na rua e virar a cara para ver o pôr-do-sol atrás do Monte Cara. É sorrir para o surreal.

Ser mindelense é fazer de tudo algo tão natural como uma ida à Lajinha. É ver o inédito como óbvio. É dizer sim sem balançar a cabeça e depois virar para o lado e dizer:”Ahn?” Ser mindelense é voltar para casa depois do trabalho e voltar a sair de seguida para encontrar amigos e beber uns copos. É dormir até tarde sem pressa de viver. Porque a vida é aqui. Sem pressa, sem compromisso. É apenas ser. Sentir.

Ser mindelense é convidar o amigo estrangeiro a comer pingon na Fontinha. E a beber Souzette, mesmo se quente. É beber até ficar “cool”. E amanhã tudo passa num tchiluf para matar a ressaca. É tmá bife de caneca e rotá bife de Chave d’Ouro. Ê bibê uns amor de mãe e uns fgi de casa e fálá inglês.

Ser mindelense ê cravá óleo na Laginha na descontra, dzes pa es correb ele e ainda reclamá de marca. Ser mindelense ê sabê que bom dia na língua de Rua d’Praia ê um bom “puta que pariu”.

É gostar de dançar; se não houver mais ninguém é dançar sozinho. É ser amigo do estranho. Cumprimentar “piratinhas” e mendigos. É viver nesta cidade maravilhosa e orgulhar-se da sua história. É ter a certeza que ninguém conseguirá nos roubar o orgulho de ser mindelense.

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