Sinapol de Portugal ameaça denunciar Cabo Verde se observar “manobras de ataques” contra promotores da greve da PN

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O Sinapol- Sindicato da Policia em Portugal ameaça denunciar Cabo Verde a nível internacional caso verificar manobras de repressão ou ataques contra os representantes dos trabalhadores da polícia no arquipélago. Armando Ferreira, presidente da Sinapol PT e Conselheiro Internacional das Polícias de Língua Portuguesa, diz que a organização que representa está acompanhar a jornada de luta dos colegas de Cabo Verde e apela ao diálogo entre a tutela e os sindicatos, e pede união entre os polícias.

Na mensagem endereçada aos colegas em Cabo Verde relativamente à luta que este vêm travando contra o Governo que lhes prometeu e assumiu um compromisso que não cumpriu, este dirigente do Sinapol afirma que é preciso diálogo, mas também é importante haver confiança. “Quando a confiança é quebrada, obviamente que não podem estar a espera que os trabalhadores, neste caso os profissionais da Polícia, continuem como se nada se tivesse passado”, constata, realçando que esta luta demonstrou que a policia de Cabo Verde e os profissionais da PN estão unidos e não aceitam aquilo que se esta a passar na sua profissão.

Por isso, Segundo o presidente da Sinapol PT, é importante que ousam a direcção do sindicato e que estejam uníssono nesta luta. “É importante mostrarem essa união ao Governo, apoiar a direcção do Sinapol Cabo Verde e levar esta luta até ao fim porque vocês fizeram história. Não queiram agora deitar a perder aquilo que conseguiram. Mantenham-se firmes e atentos porque, por aquilo que se está a observar, o Governo está neste momento a iniciar manobras de ataques, quem sabe até pessoais, contra os organizadores das manifestações e dos seus sindicatos”, alerta.

Armando Ferreira pede para os polícias nunca deixarem isso acontecer. Da parte do Sinapol PT e, na qualidade de conselheiro internacional das polícias de língua portuguesa, promete estar atento a tudo aquilo que está a passar em Cabo Verde. E, caso verificar que, da parte do Governo de Cabo Verde há repressão contra os que defendem e representam os trabalhadores da Política Nacional, irão tomar uma posição a nível internacional. “A organização que referi, representa todos os polícias que falam português em todos os países da África e da América do Sul, para além de Portugal. É muito importante que um Governo saiba estar a sua altura”, adverte.

Armado Ferreira critica ainda a decisão do Governo de utilizar instruendos e dos militares, que não são polícias, para policiar as ruas e fazerem a segurança de civis. Diz este responsável que, num Estado de Direito, que é Cabo Verde, não se pode permitir que isso aconteça. “É inadmissível pôr quem não é polícia em risco e sem poderes a trabalhar na rua e colocar forças Armadas, como se tratasse de uma guerra a policiar a vida dos cidadãos civis. Isso é muito, muito grave e espero que não se repita mais”, completa. O presidente da Sinapol PT termina apelando ao Governo para retomar as negociações com a sua congénere de Cabo Verde porque, diz, é esta a forma correcta de resolver os problemas.

Atentado ao Estado de Direito Democrático

Entretanto, ontem no Mindelo o Primeiro-ministro considerou que a greve da PN, que resultou no desrespeito pela requisição civil, manifestações e confrontações ilegais foi “quase que um verdadeiro atentado ao Estado de Direito Democrático”. Ulisses Correia e Silva reagia à greve de três dias organizado pelo sindicado da Policia Nacional (Sinapol).

O Chefe do Governo, que veio à Mindelo participar na Gala de Desporto em homenagem póstuma ao treinador Tchida, disse que as forças policiais existem para manter a segurança da população e do património dos cidadãos e a boa imagem da segurança do país e “não é admissível” que fenómenos deste tipo aconteçam em Cabo Verde. “Nos iremos tomar todas as medidas para responsabilizar aqueles que violaram e confrontaram de forma muito clara a lei da requisição civil e das manifestações”, lê-se numa notícia publicada no Sapo.CV.

Correia e Silva disse ainda que o Governo não dialoga “sob pressão, chantagem e muito menos sob violação de regras”. Questionado sobre o futuro do relacionamento do Governo com a classe policial, o PM lembrou que a maioria das forças policiais e dos agentes que integram a Policia Nacional “não fizeram a greve e estiveram do lado da lei, respeitando o seu papel” e reafirmou que aqueles que “violaram, confrontaram e tentaram colocar o país numa situação de dificuldade” vão ter que responder.

O Primeiro-ministro disse que o Governo está aberto, a refletir e a abordar os cabo-verdianos para que medidas sejam tomadas que podem ser a nível da própria revisão da legislação ou mesmo da Constituição da República no que diz respeito ao direito da polícia realizar greves. Sobre à informação avançada pelo Diretor Nacional da Policia Nacional, Emanuel Moreno, segundo a qual a criminalidade baixou no país durante os três dias de greve, disse que o essencial era fazer com que os cidadãos sentissem seguros e que a imagem do país não fosse afetada. “E conseguiu-se”.

“Se houve tentativa de beliscar o Governo ou atingir a segurança do país não se conseguiu e portanto temos que perguntar que motivos outros estão por detrás desta greve” questionou o chefe do Executivo, que voltou a afirmar que o Governo tem estado a trabalhar para atender as reivindicações espelhadas no memorando de entendimento assinado com a Sinapol, e tem feito esforços para melhorar quer as condições remuneratórias, quer de meios e equipamentos de funcionamento da Policia Nacional.

O Primeiro-ministro terminou dizendo que o Governo continua a manter confiança na estrutura de comando da PN e no ministro da Administração Interna, Paulo Rocha.

Constânça de Pina

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8 COMENTÁRIOS

  1. Sr. Armando Ferreira vá fazer ameaças ao governo do seu país
    A polícia portuguesa não tem problemas????
    Faça – me favor!
    Era só o que faltava!
    Só para lembrar: Cabo Verde à muito deixou de ser colónia portuguesa.

  2. Muito bem Sr presidente de sinapol Portugal assim que se fala , governo de Cabo Verde quer todos ficam de braços cruzados à espera de suas desicoes ,ouvir sem dar opinião ou revendicar qualquer direito …..Boa Sr presidente da sinapol o governo presiza saber e ouvir algumas verdades ,os caboverdianos presiza de levantar a cabeça e revindicar seus direitos….

  3. Sr primeiro ministro eu admiro bastante que tds rexonhecem a importanxia da pn no pais por quanto questiono o porque de tamanho desrepeito para xom a classe.Os dirigentes estuduais ou patronatos precisam incutir a necessidade de tratar bem os funcionarios,independentemente d cargo q exerce. Isso e um direito do cidadao que presta servicos, da seu contributo para o decnvolvimento do pais,cumpre com seus deveres e paga impostos ao estado. E uma obrigacao da entidade patronal cuidar dos seus prestadores de servico. E
    Preciso relembrar tambem que um funcionario satisfeito aumenta a sua produtividade a nivel pessoal e profissional principalmente. Pelo que um patronato intelefente e conhecedor das leis nao pode permitir que situacoes como essa vem repetindo no pais. E um direito adequerido que nao pode ser violado quanto menos elo proprio estado que e o fazedor e fiscalizador do cumprimento das mesmas leis. Se razoavel sr primeiro ministro e sensato. Menos arogante e orgulhoso. Trata-se da seguranca dos pobres mortais que ha anos atraz lhe confiaram a tutela desse pais e seu futuro. E LEMBRE- SE DE QUE NA PROXIMA CAMPANHA ESTARA EM PESSIMOS LENCOIS…OAS CABOVERDEANOS ESTAO A DESPERTAR DIA APOS DIA E O FANATISMO POLITICO VEM PERDENDO TERRENO…CAUTELA SR PRIMEIRO MINISTRO GOVERNA PARAR OS CIDADOES COMUS TAMBEM

  4. Podem estar cientes caros colegas de profissão de que 2017 foi um ano de lutas constantes mas 2018 será um ANO DE VITÓRIAS se Deus quiser. Força e viva o direito à greve.

  5. Alguem está a mentir. O sinapol afirma que adesão foi a 99% e o sr primeiro ministro dis o contrario. Em quem acreditar? Eu presenciei a marcha na praia e tendo em conta que o sr primeiro ministro não é reu primario em questões de mentir para o povo sinto a tentação de acreditar na sinapol

  6. O gajo fala até da impresão que somos ainda colonia portuguesa do departamento do Ultramar.Somos independentes e maduros que ele incita à greve geral a Policia Portuguesa com aderência acima dos noventa porcento como a PN fez em CV.

    Isto é atrevimento a mais tratar este assunto como se a PN fosse uma filial sindical da Policia Portuguesa.Porra ha limites pra tudo, este manifesto apoio vai para além do chamado”Diplomaticamente incorecto”haja um pouco de bom senso.

  7. Cabo Verde não é colónia portuguesa. Se ainda não fartarem dos 500 anos de torturas, matanças e crimes contra o povo caboverdiano não será desta vez que vão encher a barriga.
    Chega de intrometer em assuntos alheios. Será que em Portugal não há nada para fazer? Tira da cabeça o pensamento colonial. Isso acabou. Será que o senhor sindicalista não conhece a lei? Em que parte do mundo já se viu polícia fazendo greve e manifestações armados? Manifestação à revelia da lei? Toma juízo, senhor português!

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