“Sokols” leva a debate autonomia e regionalização: Movimento defende que autonomia é a única via para desenvolvimento de Cabo Verde

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O “Sokols 2017” promove amanhã na cidade do Mindelo um debate que irá colocar em confronto o binómio autonomia versus regionalização administrativa. Esse movimento nascido em S. Vicente acredita que a autonomia de cada ilha é a única possibilidade de Cavo Verde se tornar um país desenvolvido e descentralizar o poder centralizado na Cidade da Praia desde o advento da Independência. O encontro acontecerá Sábado de manhã e visa debater conceitos em prole de uma cidadania activa.

“A autonomia é a única possibilidade de haver desenvolvimento das ilhas periféricas e de Cabo Verde, onde cada ilha terá igual peso e o país tornar-se-á horizontal. Até este momento o país tem sido pensado e decidido pela cidade da Praia. Eles pensam e executamos. Os Sokols defendem um Cabo verde mais harmonioso, mais unido”, desabafa Salvador Mascarenhas, presidente da organização. Mascarenhas pensa que a melhor forma de despoletar o processo de autonomia passa pela transmissão de conhecimentos.

“Muitas pessoas pensam no futuro de Cabo verde, mas os cidadãos devem entender conceitos e começar a pensar por eles próprios; criar uma cidadania activa e levar pessoas a entender os mecanismos e processos e propor outros diferentes é a única possibilidade, para que não haja uma partidarização tão intensa das mentes”, frisa esse activista, para quem os partidos não defendem o povo, mas sim os interesses próprios. Assim sendo, diz, as organizações políticas não estão interessadas se haverá ou não a regionalização.

O veterinário de profissão acha um absurdo que o poder esteja centrado na Capital, tantos anos após a Independência. A seu ver, essa realidade é a causa do fraco desenvolvimento das outras ilhas. Na sua perspectiva, a descentralização do país seria a melhor via, mas acredita que isso jamais acontecerá, pelo que o caminho a seguir, na sua opinião, passa pela liberdade das ilhas e a distribuição equilibrada da riqueza de Cabo Verde.

Perante o cenário vigente no país, aribuir o Estatuto Especial à cidade da Praia, processo que o Governo pretende concluir no primeiro trimestre de 2019, é uma ideia que deixa Salvador Mascarenhas ainda mais indignado. “Não basta que Praia seja a Capital, o que por si só já lhe atribui uma posição especial, por tudo estar ali concentrado. Mesmo assim será atribuído à cidade formalmente um estatuto especial. A ideia é uma aberração e será algo para potencializar ainda mais as diferenças. Com isso o resto do pais continuará cada vez menos desenvolvido”.

Questionado pelo Mindelinsite se o movimento mudou os meios de mobilização, Mascarenhas reponde que o trabalho é permanente e por vezes é preciso manifestar com força bruta e dizer que o povo está presente, mas que cada coisa tem o seu momento. “O que interessa já não é a ideologia, mas sim o índice de felicidade das pessoas. Só as pessoas conseguem exigir o que lhes é de direito e para isso é necessário muito conhecimento para formar suas próprias opiniões.”

É com esse objectivo em mente que o Sokols aposta nesse debate. O encontro será amanhã às 9:30 na sala de reuniões da UNTC-CS e terá 5 oradores, que irão debruçar-se sobre os temas de várias perspectivas.

Rísia Lopes (Estagiária)

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