TACV suspende voos internacionais directos para São Vicente

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A TACV vai suspender todos os voos internacionais directos para o Aeroporto Internacional Cesária Évora em São Vicente. Esta “bomba” foi lançada nas redes sociais pelo ex-deputado do PAICV eleito por esta ilha, Alexandre “Xazé” Novais, que cita como fonte “uma agência de referência da nossa praça”. O Mindelinsite tentou confirmar esta informação junto da direcção da TACV, mas tal não foi possível. No entanto, para uma fonte bem posicionada, essa medida era previsível porquanto “esta rota é altamente deficitária”.

O post colocado por “Xazé Novais” mereceu de imediato uma chuva de comentários de várias pessoas, sobretudo mindelenses, que se mostram indignadas com a decisão de de suspender as ligações internacionais directas, caso esta vier a se confirmar. Este cidadão chama a atenção para o facto de, com esta medida, os mindelenses e demais crioulos desta região, “que começavam a habituar-se a viajar directamente para o estrageiro”, terem novamente de se submeter aos custos e gastos de uma paragem na Praia.

“Uma vez na Capital, terão de comprar um segundo bilhete interno na Binter para regressarem à casa”, diz, realçando que ninguém se lembra que os crioulos da região norte do país não têm residência em Santiago. “A TAP, de olho vivo no melão, já começou a explorar esta situação de verdadeiro monopólio de ligação directa a São Vicente, aumentando os seus preços e apertando as suas condições comerciais”, assevera Xazé, para acrescentar mais adiante que, a estes custos, deve-se somar ainda os decorrentes da supressão de vistos via consulado de Portugal em São Vicente, o que obriga a duas viagens imprevistas para a cidade da Praia, antes de se seguir para o exterior.

Tentamos ouvir a TACV, através de email e por telemóvel, mas não obtivemos nenhuma resposta, até a publicação desta notícia. Entretanto, uma fonte conhecedora deste sector garantiu ao Mindelinsite que esta era uma medida esperada porque a companhia aérea não tem condições para suportar as despesas e nem para driblar a concorrência. “É lógico que a TACV vai suspender os voos internacionais directos para São Vicente. São três voos semanais – dois para Portugal e um para Holanda -, que trazem prejuízos à empresa. Mas não se pode avaliar os voos em separado. A verdade é que a TACV não produz receitas para cobrir os seus custos de operações e funcionamento”, frisa essa fonte ligada ao sector aeroportuário.

Esta situação leva-a a dizer que a afirmação do ministro da Economia de que a transportadora aérea vai ficar apenas com a “TACV Internacional” é uma falásia. “Aqui em Cabo Verde acreditava-se que o Governo ia optar por manter as ligações domésticas, até porque com apenas dois Boeing é surreal. Não vamos conseguir aguentar os custos internos e nem externos, que são elevados – leasing, combustível, encargos com o pessoal, handling e taxas aeroportuárias nacionais e internacionais. A TACV está morta”, afirma.

Certo é que, caso se concretizar a suspensão dos voos directos internacionais, é mais uma “machadada” nas expectativas dos mindelenses, que acreditavam que o Aeroporto Internacional Cesária Évora pudesse alavancar o desenvolvimento da ilha. Aliás, desde que foi inaugurado, a 22 de Dezembro de 2009, espera-se os necessários melhoramentos, sobretudo em termos de equipamentos para permitir voos nocturnos e para melhorar as condições de segurança e assim poder impulsionar o turismo, que por estes dias parece ter-se encalhado.

Localizado a 10 quilómetros da cidade do Mindelo, segundo informação oficial publicada no site da ASA – Aeroportos e Segurança, o aeroporto foi construído com o intuito de servir o desenvolvimento da ilha, assim como da região Norte, incluindo as ilhas de Santo Antão e São Nicolau. Funciona das 06 horas às 00h00 com uma pista de dois mil metros de cumprimento por 45 metros de largura. Tem capacidade para receber Boeing 757 e um terminal de passageiros com uma área de 11 mil metros quadrados. Números que dotam esta infra-estrutura de uma capacidade para escoar 500 passageiros por hora. Em termos logísticos, essa infraestrutura aeroportuária possui uma plataforma de estacionamento com capacidade para acolher duas aeronaves classe D e seis placas para aviões de pequeno porte.

Constânça de Pina

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