Tchida Afrikanu grava “Reggae no Deserto”

348

O título do seu primeiro disco é “Reggae no Deserto”, mas longe de Alcides “Tchida” Lopes pensar em pregar no deserto. Pelo contrário, o músico cabo-verdiano residente no Brasil já decidiu que o seu produto será comercializado por lojas virtuais conceituadas, como Spotify e Amazon, para poder chegar aos quatro cantos do mundo. Paralelamente, Tchida Afrikanu, seu nome de guerra, vai imprimir mil cópias para oferecer a colegas do mundo da arte e à imprensa.

Composto por 10 faixas, oito das quais da autoria desse antropólogo, “Reggae no Deserto” tem a contribuição de dois alunos cabo-verdianos que estão a fazer a sua formação superior no Brasil. A música principal é mesmo interpretada por Nádia Lima, uma estudante de engenharia biomédica. Uma escolha intencional do compositor, que quis dar voz activa à mulher – em particular de raça negra e da sua terra natal – nessa sua estreia discográfica.

O disco foi mixado por Djim Djob e masterizado na Jamaica, terra do ícone do reggae Bob Marley. “Poderia apostar na música cabo-verdiana, mas o estilo reggae pareceu-me mais adequado para fazer a ponte entre a cultura africana e o Brasil. Neste caso, para estabelecer a ligação entre Pernambuco e Cabo Verde, país onde também sentimos o reggae no sangue”, explica esse professor nascido em Porto Novo, que faz jogos de palavras brasileiras em contraponto com expressões brasileiras nas suas composições.

Ainda o álbum está sem data de lançamento, mas é seguro que estará nas bancas ainda este ano. Segundo Tchida Afrikanu, não há também um prazo para apresentar o disco em Cabo Verde, por falta de tempo. Embrenhado neste momento na sua tese de doutoramento, o antropólogo parte em Junho para Portugal para recolher informações para o seu trabalho académico, que versa o toque dos tambores na festa de San Jôn.

Licenciado em música, o trabalho artístico de Tchida está intimamente ligado às suas pesquisas antropológicas. Talvez por isso evite definir a sua linha musical. Como diz, toca Reggae, Afropop, Samba, músicas tradicionais cabo-verdianas, enfim, trata-se de um indivíduo com várias influências socioculturais. “Componho coladeiras, san jôn, ou seja, qualquer ritmo cabo-verdiano. Mas tenho também uma forte influência da cultura brasileira. Diria que boa parte do ‘suco musical’ fui extraí-lo do Samba, Bossa Nova, da MPB e de artistas como Djavan”, revela o estudioso, que desde criança sentiu o seu pulsar pela música. Só que “tocar” não era uma profissão que garantisse “futuro”, por isso nunca gozou do apoio da família para seguir a sua vocação.

Mesmo assim, Tchida não deu espaço à desmotivação. Partiu jovem para o Brasil, levando como bagagem apenas o seu sonho: aprender música. “Sequer tinha dinheiro para comprar um instrumento”, recorda esse lutador. Hoje, esse irmão do actor teatral César Lélis é licenciado em música e está prestes a terminar o seu doutoramento em Antropologia.

No Recife, Tchida deixou-se envolver pela magia da música brasileira e entrou para uma banda no ano 2000, o que lhe permitiu participar na gravação de uma colectânea e actuar em cerca de oito festas carnavalescas. Sempre em movimento, que nem o pêndulo de um relógio, o músico foi trabalhando nas suas composições próprias, muitas vezes com a colaboração de amigos brasileiros. “Eles adoram a musicalidade da nossa língua e mostram-se impressionados com a evolução da cultura cabo-verdiana. Quando viram Maria Gadu cantar em crioulo (em parceria com Mayra Andrade) ficaram mesmo espantados”, conta Tchida Afrikanu.

Enquanto académico e estudioso da música, Tchida gostaria de um dia ser convidado para o AME – Atlantic Music Expo. Mas, apesar de já ter enviado seus vídeos, nunca mereceu a tenção dos organizadores, o que o deixa indignado. “Resolvi participar por iniciativa própria na edição deste ano, mas negaram passar-me um certificado para mostrar na minha universidade”, revela o cabo-verdiano, que considera a feira um espaço adequado para o encontro de intelectuais e troca de experiências com “virtuosos artistas africanos”.

Tchida já tem uma série de vídeos no Youtube. Recentemente pegou num “post” de Alexandre Tey no Facebook, fez algumas adaptações e criou uma “paródia” com a famosa canção de Djodje “La mê ki nos ê bom”. A versão entrou logo para o topo da categoria Afropop no site Spotify.

Kim-Zé Brito

Sol ta Nascê ft Publius Lentulus – Tchida Afrikanu

Music video for Sol ta Nascê ft Publius Lentulus performed by Tchida Afrikanu.https://www.youtube.com/channel/UCUdJTOmtcKWwZ6AsOiBgksAhttps://www.youtube.com/channel/UCO69JttzZifZWoc2aLvL_xQhttps://www.facebook.com/Tchida%20Afrikanu-178982448829113Copyright (C) 2002 Tchida Afrikanu.Powered by vydia.com

Publicado por Tchida Afrikanu em Segunda-feira, 2 de Janeiro de 2017

(Visited 421 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here