Teatro S. João estreia no Mindelact e desbrava terreno para novos projectos

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O Teatro Nacional de S. João do Porto estreia em Cabo Verde e na edição 2019 do Festival Internacional de Teatro Mindelact, evento que arranca amanhã, 06 de Novembro com extensão na Praia. A sua vinda ao país ocorre no quadro de um protocolo assinado com o Ministério da Cultura e das Industrias Criativas (MCIC). A apresentação das peças que o “S. João” traz para este evento – Bela Figura e Achadiço -, do Teatro S. João em si e do protocolo foram feitas pelos presidente do Conselho de Administração, Pedro Sobrado, e pelo director artístico, Nuno Cardoso. 

Coube ao PCA do Teatro Nacional de S. João fazer os agradecimentos pelo envolvimento e empenho de todas as entidades e pessoas em Cabo Verde para que estivessem presente na edição “bodas de prata” do Mindelact, nesta que é a primeira acção de uma cooperação com o MCIC que se espera profícua entre a instituição que dirige e o arquipélago. Neste sentido, Pedro Sobrado fez um enquadramento histórico do “São João” que, explicou, já teve uma enorme projecção internacional mas, por conta da crise econômica e financeira que assolou Portugal, perdeu o fôlego. 

Mas o Teatro de São João está em processo de renovação internacional. “Percebemos que devíamos explorar uma via de trabalho inédita, que tinha que ver com uma relação continuada com os países de lingua oficial portuguesa, que superasse espectáculos esporádicos. Chegamos então a um entendimento com o MCIC e estamos aqui a iniciar uma relação nova, sendo que não há em Cabo Verde e definimos interesses de parte a parte, sendo que, da nossa parte, tínhamos um grande interesse em conhecer a realidade deste país e também dos restantes países de lingua portuguesa”, pontua.

Neste primeiro contacto,  diz o PCA, o Teatro São João traz dois espetáculos, assinados pelo seu director artístico Nuno Cardoso, e que serão apresentados em S. Vicente e na cidade da Praia. “É também uma oportunidade para este contactar os agentes, actores e companhias em Cabo Verde com um outro horizonte, tendo em conta que queremos mais do que apresentar espectaculos. Queremos desenvolver projectos de raiz com Cabo Verde. Queremos enriquecer este pais com a nossa maturidade técnico-artística. Mas acreditamos que também seremos enriquecidos com o talento, o crioulo e a vossa experiência. Este é um projecto que ainda está a ser gizado mas é uma das principais apostas do S. João para 2020”, assevera. 

Já Nuno Cardoso, enquanto director artístico, actor e encenador do Teatro Nacional de São João, prefere falar deste momento, que considera ser apenas um “olá”. “Este é um primeiro momento deste projecto estruturante de uma relação ou casamento que queremos seja profícua e continua. O Teatro Nacional São João transcende as minhas produções ou as nossas actividades. É uma plataforma técnico-artística de excelência. Neste sentido, trouxemos duas pequenas peças para que possam conhecer o nosso trabalho e perceber se têm interesse em cooperar ou não connosco.” 

A primeira peça, Bella Figura, é uma especie de trágico-comédia que conta a história de dois casais, um de amantes e outro ‘normal”, que decidem jantar em um restaurante de alto nível, detalha Nuno Cardoso. O primeiro casal vai escondido, enquanto que o segundo celebra o aniversário da mãe do marido, que sofre de alzhaimer. Esta foge e é atropelada pelo outro casal. Quando saem do carro, o amante percebe que a mulher do outro é a melhor amiga da sua esposa. Os cinco acabam por partilhar a mesa do jantar e, nesta altura, caem todas as mascaras. 

Já a outra peça, intitulada Achadiço, é toda ela improvisada em interação com a plateia. Conta a história de Nuno Cardoso nascido numa terra pequena e educada em liberdade, depois do 25 de Abril. A peça, afirma, acaba por contra a história de Portugal vista pelos olhos de uma pessoa retornada – nasci em Moçambique – que vivia no interior, entra na universidade e depois abandona e que descobre que o que os pais lhe diziam que não tem sentido, agora diz o mesmo aos filhos. 

A par da apresentação das pecas, este espera conhecer os agentes teatrais daqui, perspectivando possíveis residências artísticas, tanto em Cabo Verde como no Porto, tendo em vista o desenvolvimento de projectos futuros. Mas tudo isso vai depender das possibilidades que venham a surgir.

Constâncaa de Pina

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