Técnica de Laboratório de Análises Clínicas do Porto Novo reivindica seis meses de salários em atraso

182

A técnica Adalgisa Ramos, que vinha prestando serviço no Laboratório de Análises Clínicas do Porto Novo, Santo Antão, exige do Ministério da Saúde o pagamento de seis meses de salários em atraso. Por causa disso, e sem quaisquer perspectiva de receber os valores devidos, esta diz que abandonou o serviço no dia 30 de Abril. Desde esta data, o laboratório encontrava-se fechado, até ontem, segunda-feira, que reabriu as portas com um outro profissional. Adalgisa Ramos promete lutar para receber os salários devidos, mas não está muito optimista, sobretudo agora que o serviço voltou a funcionar.

Ao Mindelinsite, Adalgisa Ramos conta que começou a trabalhar como técnica no laboratório em Janeiro de 2017, respondendo a um convite feito pela responsável da Região Sanitária do Porto Novo. Foi substituir uma outra analista, que deixou o serviço em Dezembro de 2016, após 12 anos de serviço. “Não fizemos nenhum contrato escrito. Tive uma reunião com a responsável a 02 de Janeiro e comecei a trabalhar no dia 03, por um período de três meses sob a responsabilidade da Região Sanitária do Porto Novo”, indica.

Findo este período, Adalgisa diz que abordou a responsável da Região Sanitária e esta entrou o Centro de Saúde, que aceitou arcar com a responsabilidade por mais três meses. Não houve um contrato escrito, mas a técnica não se importou. Decorridos três meses, procurou a responsável da Região Sanitária, que entrou em contacto com o Ministério da Saúde. A jovem diz que foi informada que, a partir de Julho, estaria a trabalhar sob a responsabilidade do MS, até a contratação de um técnico de análises efectivo.

“Trabalhei e recebi os salários de Julho, Agosto e Setembro. Desde então, os pagamentos cessaram. Tentei saber o que se passava, mas não obtive qualquer resposta. Desloquei ao Ministério da Saúde, onde fui informada que, por não ter um contrato escrito, só poderiam pagar um salário enquanto prestador de serviço e apenas por um período de três meses. Sem uma solução à vista, no dia 30 de Abril abandonei o laboratório, após um aviso prévio”, diz Adalgisa, realçando que foi enquadrado como uma substituição de férias.

Convite para mais três meses

O mais caricato é, segundo a nossa entrevistada, o ministério da Saúde, que se recusa a pagar os seis meses de salários em atraso, voltou a contactá-la nos primeiros dias de Maio para reassumir o posto por mais três meses. “O MS queria que eu voltasse a trabalhar no laboratório, agora com um contrato assinado de três meses, mas sem pagar os salários atrasados. Não aceitei porque entendo que prestei um serviço e tenho de ser recompensada. Não posso simplesmente fazer de conta que não trabalhei”.

Mas esta é uma luta que parece estar apenas a começar. É que, após esta denúncia pública, Adalgisa Ramos diz que vai aguardar serenamente que o seu trabalho seja pago. Entretanto, promete lutar até conseguir os seus intentos e usando todas as armas. Entretanto, para a sua surpresa, segundo diz, ontem, segunda-feira, o laboratório abriu as portas, agora com um novo técnico.

Tentamos falar com a directora-geral de Orçamento e Planeamento do Ministério da Saúde, Serafina Alves, mas tal não foi possível, tendo em conta que esta encontrava-se sempre em reunião. Mas continuamos disponíveis para ouvir o outro lado.

Constânça de Pina

(Visited 319 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here