Topad desiste da regata Bol’Or por falta de vento: “Frustrante”

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O navegador cabo-verdiano António “Topad” Cruz decidiu ontem abandonar a regata Bol’Or Mirabaud, a mais prestigiada prova disputada na cidade suíça de Genéve, por mera falta de vento. Após trinta horas com o barco estagnado, o velejador mindelense teve de reunir os oito marinheiros da sua tripulação e decidir. “Foi frustrante, mas não havia outra solução. Só para se ter uma ideia, a distância deveria ser percorrida em cerca de quatro horas e ficamos parados por quase trinta horas”, elucida Topad, que se sentiu mesmo assim desgastado física e emocionalmente. Como explica, investiu muito do seu tempo para se preparar e tudo ficou perdido por causa de um “capricho” do tempo. “Enfim, é a lei da natureza”, diz.

Questionado se a organização não previu a ausência de vento no dia da prova, Topad salienta que a competição é normalmente agendada com grande antecedência. Frisa, aliás, que este ano foi comemorado os oitenta anos dessa mítica regata, que costuma mobilizar 600 embarcações de várias categorias e cerca de 3000 tripulantes de diversos países.

Esta não foi a primeira vez que o velejador cabo-verdiano competiu na referida regata. Topad já ganhou inclusivamente a prova, dentro da sua categoria. Porém, desta vez tinha como principal objectivo promover Cabo Verde como destino turístico, aproveitando a grande mediatização do evento. “Sempre tive o cuidado de carregar a nossa bandeira e vou continuar a fazer isso. Suíça é um país pequeno, mas com um elevado nível de vida. As pessoas daqui gostam de viajar e conhecer novos destinos. Por isso tento estimular os meus amigos a conhecer o meu país”, comenta Topad.

Neste momento, o marinheiro está a recuperar-se do desgaste provocado por essa prova, mas com os olhos já no próximo desafio: o Le Translémnique en Solitaire. Trata-se de uma corrida solitária, que irá acontecer de novo em Genéve, no mês de Setembro. “Há mais de dez anos que não faço o solitário e estou a pensar participar nessa prova”, frisa esse ex-“mnine da rua d’Praia dos Botes”, que pretende usar o seu barco de 15 metros, o Vire-Vent, uma embarcação que, como diz, não é a mais veloz da Suíça, mas é uma das mais luxuosas.

Kim-Zé Brito

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