Trovoada encerra formação de uma semana em S. Vicente: “Encontrei potencial, vontade e determinação”

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O treinador Emanuel Trovoada encerrou hoje uma semana de formação em S. Vicente, que visou melhorar os conhecimentos dos técnicos, árbitros e jogadores, na senda da política da Federação Cabo-verdiana de Basquetebol de fortalecer as competições nos níveis mais jovens, em particular no escalão feminino. “Foi um trabalho interessante pelo potencial que S. Vicente apresenta no tocante à altura dos atletas, vontade e determinação dos jogadores e dos treinadores”, afirma Trovoada, que direcionou o seu foco para duas componentes: a conduta dos treinadores em termos éticos e técnicas de base.

Como explica, os treinadores que trabalham nos escalões de formação têm de ser um exemplo para os adolescentes. Isto implica saber estar, ter atenção na sua vestimenta e como falam tanto com os atletas como com os árbitros. Por outro lado, o actual treinador dos tubarões azúis mostrou aos técnicos como devem planificar os exercícios e quanto tempo devem despender a cada um.

“Normalmente gostamos de pensar nos resultados desportivos, mas isso muitas vezes nos leva a quebrar etapas na preparação dos atletas. Os treinadores devem pensar no futuro, mas ir com paciência”, frisa Trovoada, que encontrou um leque interessante de treinadores em S. Vicente, mas que precisam melhorar os seus conhecimentos. Como diz, a maioria é composta por ex-atletas e curiosos que resolveram abraçar o lado técnico. “Isto é bom, mas agora precisamos capacitar melhor esses treinadores, daí pretender dar mais uma volta às ilhas logo após as provas nacionais, que decorrem na ilha da Boa Vista de 26 de Junho a 1 de Julho, e continuar o processo de formação de monitores”, adianta Emanuel Trovoada. Segundo “Mané” Trovoada, a FCB tem ainda programado um curso de nível 2 para os treinadores formados no ano passado no primeiro nível.  

Uma das metas traçadas para S. Vicente é resgatar as competições no escalão júnior feminino. Nos contactos efectuados nas escolas, Trovoada deparou-se com iniciativas positivas e diz acreditar que as bases estão a ser lançadas. “Posso exemplificar com um projecto conduzido pela professora Liliana, que está a mobilizar miúdas de 14-15 anos. A partir daí, e com o reforço da atleta Mirreille – que também está a investir nas jovens mulheres – podem criar equipas e competir”, prognostica Trovoada, para quem é fundamental uma aproximação com as escolas do ensino básico e secundário, locais onde, diz o técnico, florescem os talentos. Enaltece, aliás, a persença de dois professores de Educação Física nessa semana formativa, um sinal que ele considera muito positivo.

Ouvir os ensinamentos do professor “Mané” foi algo estimulante para o treinador Admilson “Sarda” Rodrigues, ele que tem investido o seu tempo na qualificação de jovens jogadores, em S. Vicente. “Estamos muito satisfeitos porque ele é como que um pai para nós, diria até um ídolo. Nesta formação, ele teve o cuidado de nos ensinar como ajudar os adolescentes a definirem os seus objectivos e incutir-lhes princípios como a humildade, a responsabilidade e o companheirismo”, salienta Sarda, que se sente melhor preparado para dar continuidade ao seu projecto. É que além desses ensinamentos, aprendeu novos métodos de treino que irão ajuda-lo a melhorar a qualidade dos seus atletas.

Neste momento, a FCB está com a atenção virada para o campeonato nacional, para logo de seguida preparar as selecções sub-16 masculina e feminina que estarão presentes nos Jogos da CPLP, em São Tomé e Príncipe. Outro grande desafio é a participação de Cabo Verde pela primeira vez no Afrobasket, no escalão sub-18. “Estamos a aproveitar as minhas deslocações para sondar jogadores e a equipa técnica com o melhor perfil para assumir esse grande projecto. Até o final deste mês iremos divulgar o nome do treinador porque a FIBA é muito exigente quanto ao perfil dos técnicos que trabalham com os jovens em provas internacionais”, realça Emanuel Trovoada, que acredita na possibilidade de Cabo Verde apresentar uma boa equipa, com o contributo de jogadores residentes em Portugal e Estados Unidos da América.

“O importante é que Cabo Verde deixe de participar no Afrobasket só em sénior. Queremos preparar a selecção do futuro pelo que os nossos jovens precisam começar a ganhar experiência competitiva nos palcos internacionais”, frisa “Mané” Trovoada, sem antes lembrar que a FIBA vai lançar a AfroCan, uma prova que acontece a cada dois anos e que visa proporcionar competições entre as selecções dos países africanos, mas compostas por jogadores residentes. Um projecto que, na sua perspectiva vai ajudar a catapultar os escalões mais jovens, nomeadamente em Cabo Verde. Trovoada, relembre-se, regressou ao comando da selecção nacional no ano passado e assinou contrato até 2020 com a FCB. O objectivo deste técnico que levou Cabo Verde a conquistar a medalha de bronze no Afrobasket-2007 é exactamente coordenar as selecções e dar enfoque aos níveis de formação.

Kim-Zé Brito

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