UCID: “Encerramento da delegação da TACV é a machadada final no desenvolvimento de São Vicente”

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A UCID afirmou esta manhã que o encerramento da delegação dos TACV em São Vicente é a machadada final no processo do desenvolvimento da ilha do Monte Cara. Para o presidente deste partido, António Monteiro, a decisão vai impedir que o aeroporto Cesária Évora receba voos internacionais, o que também deita por “água abaixo” a alegada pretensão do Governo de fazer de São Vicente uma plataforma marítima, com consequências negativas para o desenvolvimento económico e sustentável da ilha.

Estamos preocupados na medida em que tínhamos ainda uma esperança, pois costuma-se dizer que a esperança é a última a morrer. E a UCID mantinha a esperança de que realmente os TACV poderiam voltar a fazer os voos internacionais a partir da ilha de São Vicente. Infelizmente, com a notícia ontem confirmada na comunicação social nós entendemos que essa esperança acaba de morrer. E com ela morre a possibilidade dos cabo-verdianos poderem viajar a preços mais económicos de São Vicente para Lisboa ou outra parte do mundo”, critica António Monteiro, para quem o escritório dos TACV não servia apenas para a venda de bilhetes. À semelhança de outras companhias que voam para a ilha e têm a sua representação na ilha, o balcão diversificava os serviços disponibilizados aos clientes.

Segundo este deputado nacional, o Conselho de Administração da transportadora aérea e o Governo mostraram falta de respeito para com os trabalhadores porque não há qualquer informação sobre o destino dado aos mesmos, a não ser que do total afecto à companhia 200 serão despedidos e outros serão transferidos para a ilha do Sal. “Há ainda uma questão que tem a ver com o aspecto social. É claro que vão ser despedidos trabalhadores e isso é mais um agravante para a situação social que a ilha enfrenta. De maneira que todas estas questões juntas merecem uma atenção por parte do Governo,” afiança o político, lembrando que se está a lidar com pessoas e que a ausência de informação cria pânico nas famílias.

Lugar da TACV ocupado pela Binter

O político constata que, enquanto a ex-companhia de bandeira nacional se afasta, outra anda a ocupar o seu lugar, mantendo um monopólio que prejudica a população cabo-verdiana, principalmente a da região norte do país. Mais: para Monteiro a extinção das escalas internas da TACV está a inflacionar os preços e a dificultar a vida aos cidadãos. Ou seja, a seu ver está-se a prestar um mau serviço à nação cabo-verdiana.

Só para darmos um exemplo: o custo de uma viagem Lisboa-São Vicente varia neste momento entre 700 e 1200 euros, numa rota de 2880 quilómetros. Enquanto isso, de Luanda a Lisboa, uma distância de rota à volta de 8600 quilómetros, o preço varia entre 600 e 1200 Euros”, exemplifica António Monteiro, deixando claro que os cabo-verdianos estão a pagar um preço superior numa rota que é três vezes menos em relação à de Luanda-Lisboa.

Por outro lado, segundo a UCID, as condições que os aviões dos TACV dava aos empresários nacionais para o transporte das suas mercadorias deixaram de existir e com isso terão grandes dificuldades para desenvolver as suas actividades, pelo simples de pagarem muito mais. O partido também se mostra preocupado com a possível retirada do voo Praia-Lisboa, que acontece todas as segundas-feiras, a partir do dia 19 de Março, o que terá as mesmas consequências da ilha de São Vicente. Por isso António Monteiro pede ao Governo para repensar esta atitude, porquanto, diz, a retirada dos TACV das linhas aéreas de S. Vicente e Praia só irá trazer graves problemas para a população.

Não compreendemos como é que outra companhia consegue ter voos diários com a Praia, quatro voos semanais para São Vicente e quatro voos semanais para o Sal e nós não temos esta possibilidade. Não entendemos como é que se sai de uma rota para a Europa, para se fazer uma rota para o Brasil com quatro voos semanais, sendo dois para Fortaleza e dois para o Recife”, critica ainda Monteiro. Neste particular, o líder da UCID pergunta se foi feito um estudo prévio para se tomar esta decisão ou se o Governo vai continuar a assumir os prejuízos desta companhia, que neste momento ultrapassam os 12 milhões de contos, para os cabo-verdianos virem a pagar dos seus bolsos no futuro.

Para António Monteiro, os TACV caíram num precipício devido aos governos do PAICV e do MPD, partidos que assumiram os destinos do país durante estes 40 anos de independência. Outra questão levantada foi a garantia dada pelo Governo de que a fixação do hub aéreo na ilha do Sal não seria um  problema, porque, independentemente da ilha em que o passageiro estivesse, ele poderia comprar a passagem já com as conexões. Como diz, esta possibilidade nunca foi dada aos clientes que são obrigados a comprar um bilhete na Bínter para a ilha do Sal e depois outro para o voo internacional, o que encarece ainda mais o custo da viajem. Sobre isso, António Monteiro afirmou que a possibilidade de se comprar um bilhete já com a conexão incluída também não existe no Brasil, para onde há quatro voos semanais da TACV. Na sua óptica, isso inviabiliza a deslocação dos turistas para Cabo Verde, enquanto que o Governo continua a falar nos transportes aéreos, mas não faz o trabalho de casa para assegurar que os passageiros tenham menos sobressaltos.

Carina David

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1 COMENTÁRIO

  1. Oh Monteiro precisa de tomar juízo como treinador da equipa B do PAICG/CV. Quando é que viajaste a preço económico na TACV? Quem disse que não vai haver voos internacionais de e para S.Vicente. As empresas aéreas não precisam de delegações, existem agências privadas para fazerem esse trabalho. És um bom comunista que não pensa Cabo Verde, e que tem medo de investimentos. Aposenta-te, estás caduco na política. gostaria de ver a UCID no poder em Cabo Verde, seria uma autêntica anedota. Fiquem onde estão, aí sim vão dizendo alguma coisa. Treinam bem para poderem subir para a equipa principal PAIGC.

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