Utente denuncia venda de “alface de plástico” em São Vicente

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A empresária mindelense Helena Leite recorreu ao Facebook para denunciar a venda de “alface de plástico” num supermercado em São Vicente. Denúncias do género não são inéditas no mundo – uma rápida pesquisa no Google confirma delações similares, por exemplo no Brasil -, mesmo assim esta informação provocou preocupação e despoletou reacções de várias pessoas sobre o risco de manipulação de produtos, com recurso a matéria-prima nociva ao organismo. Helena Leite promete tirar esta “estória” a limpo junto do mercado onde fez a compra e, dependendo da resposta, pondera apresentar uma queixa junto da Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) para exigir a retirada do produto do mercado.

A compra, segundo Helena Leite, aconteceu na última sexta-feira. “A alface foi comprada num supermercado onde normalmente abasteço. Só quem nunca comeu alface na vida não percebe que este é de plástico. Por isso, cheguei em casa e fiz dois testes. No primeiro, coloquei várias folhas de alface num recipiente e despejei água a ferver. Curiosamente nem a cor, nem a textura sofreram qualquer alteração. A alface manteve-se crocante. No segundo teste, coloquei folhas de alface no micro-ondas e deixei algum tempo. Mais uma vez, a alface manteve a textura e a cor”, conta ao Mindelinsite.

Incomodada, a empresária resolveu continuar a sua investigação. Retirou a alface da água quente e raspou levemente a parte mais grossa. Segundo Helena Leite, que é conhecida por ser uma cidadã atenta, conseguiu retirar uma “pelicula” de plástico, que também fez questão de publicar para que não haja dúvidas. Por isso mesmo, prossegue, decidiu publicar o post a dizer que se está a vender “gato por lebre” em São Vicente. A publicação foi acompanhada de várias fotos. Perante o facto, esta diz agora que vai falar com os responsáveis do supermercado e, dependendo da resposta, pondera apresentar uma queixa na IGAE.

“As minhas desconfianças sobre a venda de produtos falsificados são antigas. Temos, por exemplo, um arroz e um azeite de determinada marca que são claramente falsos. Todos estes produtos têm de ser retirados do mercado. Não podemos aceitar a presença de alimentos de plástico aqui no país, que vão contribuir para uma morte lenta das pessoas. As autoridades precisam tomar medidas urgentes”, desabafa Helena Leite, que aproveita para desafiar a IGAE a fazer testes laboratoriais aos produtos, sobretudo aos importados que são vendidos a preços exorbitantes, e aumentar a fiscalização.

Esta empresária aconselha as pessoas a consumirem mais produtos de terra, comprados na Praça Estrela que, a seu ver, além de serem mais baratos, não oferecem riscos de maior para a saúde pública. “Temos de proteger a nossa produção local, que é mais barata e mais confiável. Os alimentos de plástico são altamente nocivos. É preciso aumentar a fiscalização e principalmente impedir a entrada destes produtos no país”, reforça.

Confrontado , o presidente da Associação para a Defesa do Consumidor (Adeco) prometeu confirmar a veracidade desta informação para só depois posicionar. Do lado da IGAE, foi impossível chegar à fala com o Inspector-geral, Elisângelo Monteiro.

Esta denúncia aparece dois dias depois de um português ter postado um vídeo no qual aparece com uma maçã “lustrosa” nas mãos. Porém, ao raspar a superfície, sai um produto branco que, ao ser queimado, deixa perceber que se tratava de plástico. O problema é que essa maçã foi comprada num supermercado que costuma enviar produtos para Cabo Verde.

Constânça de Pina

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9 COMENTÁRIOS

  1. Onde se lê “Por isso, cheguei em casa e fiz dois testes.” Deve ler-se “Por isso, cheguei
    à casa e fiz dois testes.”

  2. Com tantas certezas, não se menciona o nome do supermercado; não se falou com a gerência, para retirarem o produto de circulação, e ver se foram enganados ou se são eles que querem enganar as pessoas; não se fez denuncia à IGAE, e assim outros clientes vão comprando a sua parte de alface de plástico. Desse modo, fico na dúvida se a cliente enganada é mais amiga do seu supermercado habitual ou dos seus consortes consumidores. Mas também, merecemos. Compramos toda a porcaria importada, de origem duvidosa, produtos contaminados e cheios de conservantes. Compramos até pão torrado e farinha de pão torrado importados, com tantas padarias que há em S. Vicente.

  3. Besteira. Seria infinitamente mais fácil produzir alface natural do que “alface de plástico”. Imaginem o trabalho que daria fabricar uma “alface de plástico” suficientemente parecida com a natural e em quantidade que justificasse ainda que uma fabriqueta.
    Ou é gozo ou há alguns bichinhos a fazer tropelias na cabeça de alguém…

  4. No Jornal das 13h de Sábado na RCV o IGAE emitiu um comunicado sobre este assunto.
    http://www.rtc.cv/rcv/index.php?paginas=9&id_cod=7575
    Podem consultar no link, está ao minuto 6 do referido jornal.
    É muito fácil escrever as coisas, mas um trabalho jornalístico não é só escrever o que lhes põe a frente, um jornalista é muito mais do que isso.
    Um jornalista tem de fazer trabalho de investigação, consultar e investigar os dois lados da historia e havendo provas solidas que é verdade, denunciar com toda a forca do mundo.
    Neste caso foi ouvida uma das partes e presumiu se que era o “furo jornalístico” da semana.
    Pois bem, acontece que nao foi assim.
    Eu tinha vergonha de ter publicado algo assim.
    O Mindelinsite deveria agora, no minimo, publicar uma noticia andar conta do mesmo comunicado da IGAE. Pelo menos tenta remediar o mal que fez….
    Aguardemos a ver a cenas do proximo capitulo.
    Mindelinsite para vocês directamente, a bola esta do vosso lado. Vao chutar pro lado como se nada fosse ou terminar o mau começo jornalístico com a publicação do comunicado do IGAE. No caso de ignorarem isso significa que o fosso jornalismo pode parecer pouco isento.
    O que vão fazer agora?

    • Olá Pedro, obrigado pelo seu comentário. Apenas duas coisas: o Mindelinsite fez uma notícia sobre uma denúncia cuja autora está muito bem identificada. Trata-se por coincidência de uma empresária muito conhecida em S. Vicente e que falou do assunto com o jornal. Se leu a peça certamente viu que tentamos contactar a IGAE, mas não conseguimos. E mais, perguntamos por que razão a IGAE não nos enviou esse tal comunicado de imprensa, sabendo que fomos nós o primeiro órgão de comunicação social a noticiar o caso?! Portanto, se houver mais novidades pode estar certo que continuaremos o nosso trabalho, sem receio. Agora não vamos pegar num comunicado que já foi publicado por outro órgão e que não nos foi remetido não se sabe por que motivo.

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