Vamos à manif!

791

Por Nelson Faria

Medo de quê? Medo de quem? Bora lá fazer o que deve ser feito: a sociedade civil nas ruas a pedir o equilíbrio e bom senso necessários para o desenvolvimento harmonioso de Cabo Verde.

Nestes dias, após agitação no Facebook e na sociedade Mindelense choveram ministros e “compromissos” para São Vicente. Nunca se vira delegação ministerial e cerimónia tão pomposa para apresentação de “projetos para a ilha”. Nunca se tinha visto tanto interesse repentino e emergencial. Pois, acredito ser efeito da mobilização  que já começou à grande escala.

Esperamos que não sejam mais que vãs promessas ou “compromissos” para serem adiados ad eternum. Queremos o que merecemos: projetos estruturantes capazes de ajudar no desenvolvimento socioeconómico da ilha e autonomia suficiente para decidirmos minimamente o nosso percurso numa visão realista do desenvolvimento que pretendemos, enquadrados num todo.

De projetos para campanha eleitoral, para “inglês ver”, de projetos que apenas alimentam interesses dos que gravitam à volta dos partidos, dos projetos que apenas servem como decorativos e se transformam em grandes “elefantes brancos”, dizemos basta. Racionalidade e ponderação no que se promete e no que se faz é o que queremos, claro enquadrados numa lógica de desenvolvimento do país.

O que não me causa tanta estranheza é a tentativa de se desvirtuar o movimento da sociedade que agora acorda para acção com conotações simplistas de bairrismo e política da oposição, sem a capacidade de se ver a profundidade do sofrimento das ilhas, todas elas. Desejo que cada ilha, cada comunidade se consciencialize que não é um objecto eleitoral manipulável nos períodos eleitorais. Desejaria que cada cidadão e grupo de cidadãos das ilhas pudessem ver com clareza as acções e impactos da governação local e central e pudessem actuar, sempre que necessário, na correcção de desvios, sobretudo dos compromissos assumidos.

O que se vê em muitas circunstâncias, há vários anos, é um conjunto de palavras soltas, de ideias e de ditos “projetos” que não se concretizam. O que se ouve e o que se vê são discrepâncias e incoerências entre realizações e discursos ministeriais contra as próprias promessas, ou compromissos, como queiram chama-los. O que se vê é uma conveniência adaptada ao que se quer para os interesses dos interesseiros interessados em ter e manter poder. Há quem lhes chame: “manhentos nas manhentices”.

Esta mesma conveniência tem feito com que qualquer iniciativa da sociedade civil tenha de ser aniquilada à partida. Pretende-se que nesta dita democracia funcione a ditadura dos partidos políticos, a partidocracia. É nisto que a sociedade civil precisa atuar com veemência. Esta  sociedade civil que andou ao longo do tempo conivente com esta conveniência, não fazendo valer a verdadeira força da maioria que é. Felizmente o despertar vai começar para um caminho sem volta que deve contagiar cada ilha e cada cidadão. Às manobras para descrédito e desmobilização vamos responder: “Sócio, estamos concentradíssimos”.

Da manifestação do dia 5 de Julho todos os cidadãos são bem-vindos, não importando sequer a que partido pertençam, militam ou simpatizem. Que dispam todos as capas partidárias, os preconceitos, os medos, as angústias, o sufoco e saiam à rua enquanto cidadãos livres para dizermos numa só voz, enquanto sociedade, o que queremos e como queremos. O objectivo é agregar e unir a cidadania na sua verdadeira causa: o bem-comum, sendo São Vicente o nosso pano de fundo por ser a ilha que amamos, vivemos e conhecemos com profundidade. Não somos contra os nossos compatriotas das demais ilhas, muitos pelo contrário. Apoiaremos qualquer iniciativa do mesmo género.

Perante esta realidade, perante a nossa vontade, não há volta a dar, não há mais desculpas para não agir, não existem mais razões para “manda boca” individual se todos podemos mostrar a força que temos: Vamos à manif!

(Visited 909 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here