Vindos do Oriente bicampeão: Prémio dedicado ao artista plástico Manú Rasta

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Vindos do Oriente voltou a ganhar o ceptro do Carnaval d’Soncent, prémio que deixou “dona Lily” eufórica e Patcha com um amargo de boca. “Dona Lily” já tem em mente o tema do próximo ano, enquanto o presidente de Monte Sossego promete voltar a lutar pelo título e pelo engrandecimento dessa manifestação cultural na cidade do Mindelo. 

O grupo Vindos do Oriente dedicou o título de bicampeão de S. Vicente ao artista plástico Manú Rasta, que se encontra em tratamento médico na cidade de Lisboa, e anunciou, através da presidente Lily Freitas, que já tem o tema escolhido para o próximo desfile. “Por causa da ausência forçada de Manú trabalhamos com um artista brasileiro, pessoa muito minha amiga. No entanto estivemos sempre em concertação com o Manú, que merece receber esta homenagem”, realça Lily Freitas, que não escondeu a sua euforia em cima do palanque na Rua de Lisboa assim que o Vindos do Oriente foi proclamado vencedor do Carnaval Mindelo-2018. Já mais relaxada, “dona Lily” admitiu que estava meio receosa do resultado. “Fica sempre aquela dúvida, mas, depois de ver a perfeição do trabalho final senti que seria impossível perdermos o título”, diz Freitas, que fez questão de celebrar o prémio abraçado ao brasileiro Cláudio Miranda, co-autor do projecto “Mãe África” apresentado no sambódromo do Mindelo.

“Este é o primeiro Carnaval que passo fora do Brasil e foi uma experiência maravilhosa. Ainda estou a tentar acordar deste sonho”, confessa o carnavalescos brasileiro, que ficou impressionado com o nível do Carnaval de S. Vicente. Para ele, a “única” diferença que existe entre Mindelo e o Rio de Janeiro é o tamanho dos grupos, “porque a folia é a mesma.”

Pela segunda vez consecutiva, Vindos do Oriente relega o grupo Monte Sossego para a posição de “vice”. Desta vez, a luta foi renhida, já que Montsu perdeu pela diferença de apenas quatro décimos. “Este segundo lugar caiu-nos pessimamente no espírito, mas recebemos a classificação com um sentido claro de regozijo pela contribuição que temos dado para a elevação do Carnaval de S. Vicente. Temos uma direcção composta por pessoas que se dedicam de corpo e alma a este grupo, apresentamos um desfile brilhante, glamouroso e cheio de emoção, porque desfilamos com o coração”, salienta António “Patcha” Duarte, que promete continuar a lutar por Monte Sossego e em prol da festa do Rei Momo na ilha de S. Vicente. Porém, Patcha mostrou-se desagradado com certos internautas com poder de influência que, nas palavras dele, têm usado as redes sociais para “derrubar” o Carnaval do Mindelo, esquecendo-se que quem anda a organizar os desfiles são “pessoas sérias”. “O nosso caminho não é outro, senão o crescimento, um crescimento que será imparável, com ou sem financiamento.”

Embora tenha perdido o ceptro de melhor grupo do Carnaval 2018, Montsu conquistou a maioria dos prémios individuais: Música (“nação montsu”), Rainha de bateria (Miriam da Cruz), Mestre-sala (Guilherme Oliveira), Porta-bandeira (Alcione Sancha), Rei (Rui Marques) e Rainha (Célia Monteiro). Os restantes prémios de Segunda-dama (Patrícia Camões) e Primeira-dama (Jamírcia Fonseca) ficaram nas mãos de Vindos do Oriente.

Antes do anúncio do prémio, a raínha Célia Monteiro estava nitidamente ansiosa. “É difícil encontrar uma palavra para descrever a emoção que senti ao ouvir o meu nome. Fico orgulhosa por levar este prémio para Monte Sossego, zona dos meus pais e onde cresci”, diz a jovem, que veio propositadamente da Inglaterra, terra da sua magestade, para assumir o trono do Carnaval de S. Vicente.

Ser distinguido com o título de Rei do Carnaval deixou o português Nuno Marques sem palavras. Este empresário recebeu um desafio proposto por António Duarte, mas confessa que no início não deu tanta importância ao projecto. Apenas quando viu o desenho do fato e do carro alegórico é que passou a encarar essa ideia com seriedade. “Depois entrei com o pé direito, com as mãos, com o corpo e o coração… Claro que não queria deixar o Montsu ficar mal e fico feliz por ter alcançado o objectivo”, confessa o Rei, que costuma participar no Carnaval português, “mas nada que se compara com um desfile desta dimensão.” 

Quem também ficou um bocado desiludido com a sua classificação foi o Cruzeiros do Norte. Segundo Fatinha do Rosário, o grupo trabalha sempre para conseguir ir mais longe, mas tem a plena consciência que é muito difícil defrontar e derrotar Monte Sossego e Vindos do Oriente. “Endereço os meus parabens a esses grupos, que têm força financeira e organização, por isso continuo a apelar aos patrocinadores no sentido de apoiar os outros grupos porque todos trabalhamos para melhorar esta manifestação cultural, que já se tornou num produto turístico”, realça Fatinha, para quem o Cruzeiros do Norte precisa de mais gente na organização ou caso contrário terá de parar um tempo para repensar o seu relançamento.

Flores do Mindelo voltou a ficar em quarto lugar, mas nem toda a gente concordou com a classificação do grupo de “dona Ana”. Aliás, o trabalho do júri desagradou parte dos foliões presentes na Rua de Lisboa. Muita gente ficou perplexa com a atribuição de alguns prémios individuais e houve quem tenha mesmo vaiado alguns premiados.

Kim-Zé Brito

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