Viver sobre duas rodas: Jovem transforma paixão por bicicleta em modo de vida

2962

Desde sempre gostou de andar de bicicleta, mas nunca imaginou transformar esta sua paixão em modo de vida. Para Janice Alves, que cresceu pedalando pelas ruas da cidade do Mindelo, a sua bike é um meio de transporte para o emprego ou para as compras, mas é também para o seu lazer. Admite que há risco porque nem todos os condutores respeitam os ciclistas, mas reconhece que a situação começa a mudar, inclusive alguns já lhe cedem prioridade, sobretudo quando está a pedalar com a sua filha pequena na sua cadeirinha.

Esta jovem, que nasceu na ilha do Fogo, mas que cedo veio viver em São Vicente, diz não lembrar exactamente quando começou a andar de bicicleta. Sabe apenas que era muito pequena. “Gostei muito e nunca mais abandonei a bicicleta. E a minha família sempre me apoiou. Fui crescendo e trocando para bicicletas melhores. Hoje vou para qualquer lugar de bicicleta”, conta Janice Alves, que diz utilizar esse transporte para ir ao trabalho ou às compras.

Quanto ficou grávida, pensou que não voltaria a pedalar. Mas a paixão pelo ciclismo foi mais forte, pelo que, quando percebeu, já estava a pedalar de novo. “O problema é que não podia deixar a minha filha em casa para pedalar. Também não tinha uma bicicleta própria para transportar uma criança. Soube então de uma pessoa que vendia uma bicicleta deste género, mas não tinha dinheiro para comprá-la. Felizmente lá chegamos a acordo e, desde então, ando com a minha filha de bicicleta. Somos inseparáveis”, comemora.

O entusiasmo por estar com a filha na “garupa” era tanto que sequer lembrou de informar a sua família. Aliás, nem mesmo informou ao pai da sua filha, que reside no exterior, desta sua decisão. “A minha família ficou a saber mais tarde, mas não ficou preocupada porque sabe que sou muito cuidadosa. Quando estou com a minha filha ando devagar e tento evitar as ruas com trânsito mais pesado. O pai da minha filha também não ficou zangado porque é também um pouco radical e sabe que não ia coloca-la em risco.”

Hoje, as duas são inseparáveis. De bicicleta saem para longos ou curtos passeios, para visitar familiares ou amigos, para ir para o jardim ou outro lugar. E este é um laço que espera manter ainda por alguns anos. Janice usa também a sua bike nos seus afazeres, designadamente para ir trabalhar ou às compras.  “A minha filha pesa neste momento 18 quilos. A minha bicicleta e a cadeirinha suportam até 25 quilos, pelo que vou precisar de novos equipamentos. Mas não estou preocupada. Ainda temos algum tempo para reforçar os laços”, confessa Janice, que está também a incutir na menina a sua paixão.

A maior dificuldade é encontrar onde estacionar a sua bicicleta em segurança nas ruas da cidade do Mindelo. “Quanto venho para o centro da cidade, normalmente vou estacionar no Pont d´Água, local onde antes trabalhava. Mas, quando vou para o hospital, mercados ou alguma instituição pública, nunca encontro um lugar seguro para deixar a minha bicicleta. É muito complicado. Se houvesse um espaço próprio seria óptimo porque há empresas e instituições que não aceitam bicicletas estacionadas nas proximidades”, lamenta.

Janice Alves admite que a existência de ciclovia no centro da cidade seria também positivo e estimularia mais pessoas a andar de bicicleta. “Para além de ser mais económico andar de bicicleta, é um meio de transporte amigo do ambiente. Por outro lado, já há turistas que visitam esta ilha e que gostam de andar de bicicleta. Ter uma ciclovia e um parque de estacionamento seguro para bicicletas aqui na cidade seriam muito bom”, conclui.

Constânça de Pina

(Visited 4.782 times, 2 visits today)

1 COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here