Workshop internacional no INDP: Recolher experiências locais com olhos no ordenamento marítimo global

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A experiência das comunidades locais na gestão dos recursos marinhos e no ordenamento do espaço marítimo em Cabo Verde será um dos alvos da atenção dos especialistas europeus, brasileiros e africanos reunidos em S. Vicente de hoje ao dia 7 deste mês, no primeiro workshop do projecto Paddle, uma iniciativa financiada pela União Europeia. A intenção, segundo a geógrafa portuguesa Helena Calado, será recolher dados sobre boas práticas adoptadas no arquipélago e que possam ser partilhadas e até extrapoladas para outros países, nomeadamente do espaço europeu.

“Tentamos caracterizar as comunidades, capacitá-las e aprender com elas, porque o espírito do projecto é a ideia de partilha, pois não só queremos trazer as nossas experiências, mas também levar a cabo-verdiana para outros locais, sobretudo quando se trata de ilhas, como são os casos das Canárias, Açores e das ilhas da costa brasileira”, realça essa professora da Universidade dos Açores, que destaca o facto de Cabo Verde ser o primeiro país a acolher este encontro internacional.

O evento será depois apresentado no Senegal e Brasil, mas Calado mostra-se expectante sobre os ensinamentos a serem extraídos agora neste workshop, que decorre na sala de conferências do Instituto Nacional de Desenvolvimento das Pescas. Amanhã, por exemplo, Iolanda Cruz, técnica do INDP, irá apresentar um caso de estudo da comunidade piscatória de S. Pedro e que se debruça sobre as estratégias articuladas de desenvolvimento local nessa aldeia do Sul da ilha de S. Vicente. No mesmo dia, Silvana Monteiro, da Direcão Nacional do Ambiente, e Márcia Costa (INDP) terão a palavra para falar da gestão das áreas marinhas protegidas e do potencial da aquacultura em Cabo Verde. Além disso, no último dos três dias de debate, será a vez de Carlos Évora, Director Nacional da Economia Marítima, abordar o tema “crescimento azul em Cabo Verde”.

O ordenamento do espaço marítimo, um tema com regulação internacional,  é um dos aspectos transversais. A ideia da organização é levar as comunidades africanas a estarem familiarizados com um assunto que acaba por dizer muito a todo o planeta, em particular aos Estados litorâneos, como é o caso de Cabo Verde. “O mar é um tema muito regulado a nível internacional e é fundamental tentarmos perceber como esse chapéu internacional acaba por condicionar a acção local”, elucida Calado. Ela que realça o facto de o projecto dar aos técnicos e estudantes cabo-verdianos a possibilidade de participarem em missões de estudo na Europa e vice-versa. Como diz, estão previstas pelo menos 383 missões ao longo de quatro anos da vigência do projecto, isto é de Julho de 2017 a Junho de 2021. Financiado pela União Europeia, o projecto objectiva ainda estabelecer redes de investigação científica, apoiar a disseminação do saber, a e a troca de experiências.

Slaiente-se que durante esta jornada será desenvolvido um exercício prático com a ferramenta SeaSketch (instrumento de apoio à cartografia colaborativa para os oceanos – visualização e recolha de dados de participação pública), exercício que permitirá demostrar o papel que as comunidades locais têm na construção das políticas de ordenamento do espaço marítimo.

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