Clubes e AASV exigem final do nacional de andebol feminino em S. Vicente

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Os treinadores dos clubes de andebol feminino de S. Vicente e a associação regional querem ver a fase final do campeonato nacional da modalidade no polidesportivo de Monte Sossego, esta época. Como dizem, há anos consecutivos que a campeã local desse escalão tem sido obrigada a enfrentar as adversárias na ilha de Santiago, pelo que chegou o momento de S. Vicente ter também o privilégio de disputar o título “em casa”.

Segundo Orlando Morais, treinador do Amarante, nos últimos seis anos a cidade da Praia acolheu a prova, com o argumento de que fica mais barato aos cofres da Federação Cabo-verdiana de Andebol, e isso saiu caro á ilha de S. Vicente. “Como Santiago tem colocado três equipas na fase final, dizem que fica menos custoso deslocar uma equipa do que as três para uma outra região desportiva. E com base nisso, o Amarante já foi jogar cinco vezes à cidade da Praia, tendo sido claramente prejudicada nalgumas edições. A verdade é que jogamos contra as adversárias, a arbitragem e outras forças que se conjeturam para prejudicar a nossa representante”, diz o técnico, para quem S. Vicente só terá verdadeiras hipóteses de conquistar o título de Cabo Verde se jogar com o apoio do seu público.

Esta é também a opinião do técnico Adelino “Didi” Duarte, que se mostra inconformado com a situação reinante no andebol feminino, a nível da prova nacional. Aliás, o treinador do Atlético Clube do Mindelo decidiu desde agora assumir uma posição no minino polémica: se a sua equipa ganhar o campeonato de S. Vicente, só irá jogar o nacional se a prova decorrer nesta ilha. “Digo isto e assumo as minhas responsabilidades. Após seis anos sem recebermos uma fase final, é mais do que justo que agora seja a vez de S. Vicente ficar em casa. E com todo o respeito que tenho pela equipa feminina do ABC, é lamentável que tenha conquistado mais de metade dos seus títulos nacionais no gimnodesportivo de Chã d’Areia”, sublinha Didi Duarte, cujas palavras parecem encobrir um desafio.

Outro treinador que apoia a posição dos colegas é Aquilino Fortes, basicamente com os mesmos pontos de vista. Para o técnico da formação “Pintim” – liceu José Augusto Pinto -, só enfrentando as adversárias na ilha do Monte Cara é que S. Vicente poderá alcançar o triunfo. “Por aquilo que tenho visto e seguido, é praticamente impossível sagrarmos campeãs nacionais da forma como as coisas têm sido organizadas. Por isso, acho que S. Vicente tem de começar a posicionar-se claramente e desde agora”, alerta esse técnico.

Para Cristalina Rodrigues, é de todo o interesse de S. Vicente ser a ilha anfitriã da prova nacional feminina, depois de tanto tempo vendo a sua campeã jogar longe do seu público e sem sucesso. “Vamos discutir esse assunto com os clubes e, se houver uma decisão consensual nesse sentido, é claro que iremos fazer de tudo para atingirmos esse objectivo”, afirma a presidente da Associação de Andebol de S. Vicente. O encontro ainda não foi agendado, mas é certo que a federação já abriu o processo de candidatura das regiões desportivas interessadas em assumir a organização das provas nacionais.

Esta preocupação é ventilada logo no arranque do campeonato regional de andebol feminino, cuja primeira jornada foi concluída no passado Domingo. No “derby” da jornada, o Amarante venceu o Atlético por 23-22, num jogo marcado pelo equilíbrio do primeiro ao último minuto. Para os técnicos Orlando Morais (Amarante) e Adelino Duarte (Atlético) não restam dúvidas de que o troféu será disputado entre essas duas formações. No jogo de Sábado, a Geração Benfica aplicou uma goleada de 31-17 à equipa do Pintim.

No capítulo masculino, o Liceu Ludjero Lima assumiu a dianteira do campeonato, com duas vitórias sobre o Comando e o Batuque. O Atlético vem logo no encalce com uma vitória frente ao Comando (marcação de cova) e um empate com o Batuque. Esta semana, Ludjero Lima e Atlético medem forças numa partida que promete ser bem disputada.

 

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