Desiludida, estilista espanhola Maria Moreira troca Mindelo por Praia

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A estilista espanhola Maria Moreira Gonda, que estava a desenvolver um curso de moda voltado para as mulheres rendeiras em São Vicente, vai deixar a cidade do Mindelo para continuar o projecto na cidade da Praia.  É que, segundo Maria Moreira, após um ano a trabalhar e a bater em muitas portas, nunca conseguiu apoio por parte das entidades mindelenses para dar seguimento ao trabalho, cujo objectivo era capacitar as mulheres e criar uma colecção de moda contemporânea com apliques de renda. Desiludida, aceitou um convite para se estabelecer na cidade da Praia, onde terá suporte da Fundação Fil e da Universidade Única.

Maria Moreira Gonda afirma que trabalhou em Espanha onde desenhou colecções para marcas internacionais como El Corte Inglês e Zara, além de outras que apresentou em desfiles nos palcos de moda de Paris e Nova York. Mas, porque passou a sofrer de artrite, o médico aconselhou-lhe a vir para Cabo Verde por causa do clima. Foi então que fixou residência em São Vicente, ilha onde decidiu ensinar o que aprendeu durante os anos em que trabalhou com grandes marcas mundiais.

“Eu vim para São Vicente porque tenho artrite e aqui o clima é bom. Posso tomar sol e banhos de mar. Eu trabalhei muitos anos no mundo da moda e, quando cheguei no Mindelo, vi várias mulheres que vendiam na rua a fazer renda, que é uma coisa que já não  se faz muito em Espanha. Então, como não posso ficar sem fazer nada, decidi ensinar o que eu aprendi durante tantos anos a pessoas que necessitam”, conta a estilista.

Durante o ano em que esteve em São Vicente, Maria Moreira ministrou formação às mulheres fazedoras de renda, dando-lhes noções sobre como fazer peças de vestuários a partir de moldes e com apliques de renda. “A experiência foi muito positiva e fizemos três desfiles. Eram trabalhos de renda e de colecções contemporâneas. Fizemos outra  colecção para o desfile no festival de Kavala Fresk e depois ministrei uma outra formação num atelier que tínhamos no Centro de Artes e Design”, lembra ainda Maria Moreira Gonda, que lamenta o facto de ser obrigada a interromper este trabalho.

“Eu trouxe fios, tecidos e máquinas industriais que tinha na Espanha para este projecto. Mas, infelizmente vou ter que continuá-la na cidade da Praia porque depois de um ano não consegui apoios aqui em São Vicente. Batemos em várias portas, mas nunca conseguimos aquilo que precisávamos. Já não podemos ficar no CNAD porque disseram que o espaço foi ocupado e, lamentavelmente, temos que ir para Praia porque lá encontramos o apoio da Universidade Única e da Fundação Fil. Agora as mulheres de São Vicente que quiserem continuar a formação devem ir à Praia”, frisa a espanhola.

A estilista diz-se triste com esta decisão porque sabe que São Vicente precisa deste projecto, que poderia gerar empregos a várias mulheres. Mas a sua tristeza também se deve ao facto de ter que deixar uma ilha que aprendeu a gostar. “Tenho muito carinho por São Vicente e sinto-me muito bem aqui. Eu vou sentir muitas saudades porque estou aqui há mais de um ano e tenho aqui os meus amigos. Gosto do Mindelo porque é muito tranquilo, agradável para se viver e realmente não queria sair daqui”, explica Maria Moreira, que já está de malas feitas.

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